terça-feira, 5 de novembro de 2013

Estruturalismo



"Seria exagerado afirmar que o estruturalismo linguístico tomou suas idéias emprestadas ao formalismo, pois os campos de estudo e os objetivos das duas escolas não são os mesmos; encontram-se, entretanto, nos estruturalistas, marcas de uma influência 'formalista', tanto nos princípios gerais quanto em certas técnicas de análise. Eis por que é natural e necessário lembrar hoje, quando o interesse pelo estudo estrutural da literatura renasce, as principais aquisições metodológicas devidas aos formalistas, e compará-las com as da linguística contemporânea." (TODOROV, 2003, p. 28).
Essa afirmação de Tzvetan Todorov em As estruturas narrativas aponta para as diferenças e aproximações das duas correntes críticas advindas dos Círculos Linguísticos de Moscou e Praga. Afirma, ainda, que as ideias dos formalistas foram modificadas e enriquecidas pelo trabalho dos linguistas de Praga, especialmente pelo fato da doutrina formalista se apresentar como em constante elaboração. Dessa forma, aponte um procedimento de estudo que a perspectiva estruturalista agregou aos estudos formalistas a partir da preocupação com a "descrição científica de um texto literário" citando um exemplo literário em que ocorra uma possibilidade de leitura diferente ou renovadora. 

61 comentários:

  1. A partir das leituras e da discussão estabelecida em sala, bem como a postagem acima podemos afirmar que o estruturalismo agregou ao formalismo a ideia de que o que importa na obra é o discurso. Desta maneira não há possibilidade de relacionar a obra com o contexto histórico, por exemplo, pois tudo é discurso e a história torna-se o discurso da obra. Assim, o discurso seria a instância máxima de sentido para os Estruturalistas, e toda a Obra Literária é um discurso, relacionado a outros discursos. Aquilo que não é compreendido como discurso, para os Estruturalistas, não é possível de análise. Com esses estudiosos, além da literalidade a obra ganha outro valor, pois é desvinculada do autor, ampliando a leitura do leitor (dentro do método de análise proposto, ou seja, a partir do discurso).
    Como proposta de texto literário que possibilita uma leitura diferente ou renovadora, podemos sugerir os contos de Ernest Hemingway. Este autor tinha como princípio a Teoria do Iceberg, onde somente uma parte mínima de análise estava na superfície, ou seja, no texto (no discurso), a grande parte estava “além” do texto. Para melhor entendimento podemos pensar diretamente em um Iceberg e sua representação.
    No conto Mr. and Mrs. Elliot, por exemplo, se fizermos uma leitura superficial, ou ainda, ler somente “as linhas” do texto, encontramos a história de um casal, que vivia uma vida feliz. No entanto, passando para as entrelinhas do conto, é possível perceber que este casal feliz, na verdade vivia de aparência. Deste modo, analisar somente o discurso não seria possível. Há uma necessidade de compreender o que está além do discurso, o contexto em que o conto é colocado. A teoria Estruturalista, portanto, torna-se limitadora que uma análise mais profunda e, possivelmente, mais adequada aos contos de Hemingway.

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  2. O estruturalismo surge a partir de Saussare e suas dicotomias, são elas Sincronia e Diacronia, Significante e significado, Langue e Parole, Sintagma e Paradigma. O linguista propõe um sistema chamado de “estrutura” para estudar todas as línguas humanas, assim surge o estruturalismo que é uma prática de entendimento de mundo, na qual reduz o mundo as estruturas mínimas universais e essa teoria tem a pretensão de abranger todas as ciências, não somente a Literatura, que para os defensores desta linha de pensamento também era considerada uma ciência. O estruturalismo não julga valor, tampouco vê a literatura como arte, para essa teoria não é, é apenas uma recorrência das histórias já conhecidas. Dessa forma, pelo viés estruturalista, para fazer uma crítica literária, o leitor tem que analisar somente o que houver no texto, de forma explicita, não dando margem as possíveis leituras de entrelinhas. Roland Barthes ainda escreveu o texto “A morte do autor”, descrevendo que o autor e sua biografia não fazem parte da obra, pois importa apenas o que está no texto. Se não há citação do autor no próprio enredo, ele não existe. Citando como exemplo o autor pelotense Simões Lopes Neto, em Contos Gauchescos não é relevante à vida pessoal do autor, pois ali ele não é citado, ficando a “autoria” do conto para Blau Nunes, um típico gaúcho da época das revoluções contemporâneo do século XIX. A data de publicação da Obra, início do século XX não importa, seu período literário, o pré-modernismo também não. A cidade onde a obra foi escrita não tem importância e sim a região geográfica descrita por Blau Nunes na obra. O valor de Contos Gauchescos está na forma encontrada por Simões Lopes Neto para poder registrar as expressões típicas utilizadas no pampa gaúcho, modelo anos depois copiado por Guimarães Rosa para escrever Grande Sertão Veredas e descrever as expressões nordestinas. Então é possível afirmar que são fatores extra texto que tornam Contos Gauchescos uma obra singular. Em uma análise estruturalista estes fatores não são levados em consideração, diminuindo o valor literário desta obra em específico.

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    1. Através da analise dos princípios estruturalistas, pode-se observar que os mesmos, relativos aos procedimentos de estudo, agregaram aos formalistas, a relevância do discurso, no qual “o texto literário contém em si o princípio da sua inteligibilidade”.

      Entretanto, se faz construtivo ressaltar que “fora do contexto francês, os críticos mais visíveis do estruturalismo foram os críticos marxistas. Terry Eagleton, por exemplo, resume assim a sua posição: “Quais as conquistas do estruturalismo? Primeiramente, ele representa uma impiedosa desmistificação da literatura. (...) Numa palavra, o estruturalismo era espantosamente não-histórico: as leis da mente que ele dizia isolar – paralelismos, oposições, inversões, e todo o resto – agiam em um nível de generalidade bastante distante das diferenças concretas da história humana.” (Teoria da Literatura – Uma Introdução, Martins Fontes, São Paulo, 1994, pp.113 e 116).”
      (http://www.edtl.com.pt/index.phpoption=com_mtree&task=viewlink&link_id=1034&Itemid=2 - acessado em 09/11/13 às 14h53min)

      E um exemplo de texto literário, é o conto “Punhal na garganta” pertencente ao livro “Pão e Sangue”, do escritor Dalton Trevisan. Em que a analise do discurso é importante, mas necessita também do contexto histórico, no qual a visão estruturalista é deficiente.

      No conto, a visão estruturalista de leitura da obra, sem grandes preocupações com a observância do contexto histórico, a deixa com conteúdo limitado, pois para uma melhor assimilação, se faz necessário entender o que acontecia no Brasil e principalmente na cidade de Curitiba (em que ocorre a história) em meados dos anos 80. No qual, apresentava-se com um alto nível de violência, principalmente contra a mulher.

      O tema da conto centra-se numa problemática acerca da violência, do papel da mulher e sua insignificância quanto à opressão e a possessão masculina. Abordando dentro desses temas assuntos como amargura, ressentimento, desejo corroído, adultério e etc.

      (Carolina Brahm da Costa)

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  4. O que entendi a respeito do Estruturalismo e com a leitura do texto “A morte do autor” é que as obras devem ser analisadas sem interferência do contexto social e com a ausência da identidade do autor no produto. Uma obra que se encaixa nesse modelo é “ Álbum de família” de Nélson Rodrigues, peça escrita em 1945 e estreada em 1967, pois todo enredo está centrado no interior da família de Jonas ( o patriarca ) e todos os fatos, como traição, ciúme, incesto e morte se entrelaçam contidas neste ambiente familiar fechado, sem relevância contextual do meio e sem marcas pessoais do autor.


    Janaína Quintana de Oliveira

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  5. ESTRUTURALISMO
    Desde a ousada introdução do "herói problemático" nos textos, o conceito de literatura sofreu abalos. Com o Positivismo, o conceito atingiu o seu auge de instabilidade.

    A literatura merecia uma renovação e esta reestruturação de conceitos não visou o estabelecimento de princípios de produção, mas nos da análise das produções. Os Formalistas queimaram suas pestanas neste árduo trabalho de criar estratégias e elaborar procedimentos para instaurar a crítica literária moderna.

    Portanto, este "extremismo" renovador pôs no patamar máximo a literariedade dos ditos "discursos", termo introduzido pelo propósito estruturalista, e todas as demais ciências (tais como a Psicologia, a Psicanálise, a Sociologia dentre outras) recém-surgidas poderiam evaporar, desaparecer do mapa.

    Assim sendo, pouco importa saber que o autor e escritor de Dom Casmurro se chama Machado de Assis. Assim, da mesma forma que "Gott ist tot" para Nietzsche, "o autor está morto" para Barthes. Da mesma forma, pouco importa as suas motivações que o levaram à produção da obra ou até mesmo se há algo do Machado nela; ou até mesmo saber que o cavaleiro Des Grieux foi espelhado na vida particular do Abade Prévost, autor da história na qual a "femme fatale" Manon Lescaut é apresentada ao mundo. No mais, é irrelevante analisar a infidelidade feminina na sociedade falocrata do século XIX no Brasil. Assim, não se faria um mapa astral da Capitu ou do Bentinho para pôr em questão a infidelidade consumada ou pressuposta. Despreza-se totalmente a análise socioeconômica do Rio de Janeiro no século retrasado em que Capitu, Escobar e Bentinho se encontravam.

    Entretanto, é relevante e pertinente para os estruturalistas comparar obras da mesma época de produção que se assemelhem, por exemplo, quanto à nuancia da infidelidade feminina, quanto ao espaço, quanto aos objetos, quanto ao enredo, quanto às vestimentas etc.

    Conclui-se que, fundamentando a perspectiva estruturalista, a literatura existe por si só e as intertextualidades só são admissíveis no universo interno e somente interno das obras literárias, imanente aos discursos. Para ser independente, a literatura teve de se impor como ciência cujo método científico é a própria crítica literária.

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    1. Oi, Gilson!
      Explicando teu 0.9: teu comentário está muito bom. Só descontei pq tu começou o argumento já a partir do estruturalismo, quando podias (como sugeria a proposta) falar um pouco da relação do estruturalismo com o formalismo - a "evolução" de uma teoria para outra.
      Outra coisa que me chamou a atenção é tua afirmação "esta reestruturação de conceitos não visou o estabelecimento de princípios de produção, mas nos da análise das produções". Eu concordo com isso, mas quando falas do heroi problemático ele está mudando a concepção do fazer literário, mas não sei se entendi bem o que tu quis dizer.
      Caso eu não tenha te explicado bem, estou à disposição. :)

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    2. Boa noite Juliana,
      Obrigado pela resposta.
      Relendo a minha frase, percebo que eu quis expressar que o Estruturalismo tinha um princípio de analisar literatura observando a sua literariedade. No entanto, o Estruturalismo não visava propor uma "escola literária" ou como um "estilo de produção". Com outras palavras, a análise se detinha ao produto do "falecido autor" e não a como o escritor "deveria ter escrito". Faz sentido o que eu quero dizer ou estou equivocado com o conceito?
      Seu argumento sobre a introdução foi mais que acatado. A nota 0.9 é bastante plausível.
      Agradeço pela atenção.
      Até semana que vem.
      GRLN

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  6. Estruturalismo
    Como já estudamos nas teorias de Saussare que criou uma estrutura para a língua humana, acreditava que a estrutura da língua era formada por elementos coesos que se agregam e funcionam a partir de sistemas e regras organizadas.
    O estruturalismo na literatura diz que o que importa na obra é o discurso em si, sem se importar com o contexto, seja ele social ou histórico, não leva em conta a vida do autor. Todorov nos diz que o que importa é a diegese, serão julgados os próprios personagens poderão ser confrontados ou comparados, o meio em que vivem, ou o que fazem.
    As obras de caio Fernando Abreu por exemplo são contraditórias ao estruturalismo, pois suas obras são relevantes a um contexto social e histórico, já que escreveu suas obras num período turbulento da história da democracia brasileira, seus textos são uma mescla de linguagem formal e coloquial com aparecimento de termos vulgares, comtemplando em seus contos assuntos como homossexualismo, e as doenças daquela época. Na produção deste autor são constante as referências a outras obras literárias. Se “Morangos Mofados” foi uma obra escrita para apresentar críticas a sociedade, Caio F. Abreu queria mostrar entre linhas a insatisfação a partir da perspectiva melancólica que transparece nas narrativas, já que elas além de tudo não tem um final feliz.
    Falar dessa e obra e desse autor é desacreditar no estruturalismo, por tudo que já estudamos em tantas outras obras é impossível ver como o estruturalismo trata as obras literárias, aliás destrata, pois para o estruturalismo essa obra não tem fundamento algum, em se tratando de contextualidade, porque o importante é a verdade da diegese no máximo o que vai ser analisado são os personagens entre si, eles poderão ser comparados ou confrontados, mas nunca sairão para a vida real, o autor não existe para o estruturalismo.
    http://www.ufrgs.br/ppgletras/defesas/2005/LuanaTeixeiraPorto.pd
    http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=1034&Itemid=2
    • Paráfrases dessas duas páginas.

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  7. Para o Estruturalismo o que interessa é o discurso da obra (materialidade do texto), Ou seja linguagem é parte da obra, não do autor.
    Segundo Barthis todo texto é escrito no aqui e agora , o passado e todas as outras coisas de fora vem pelo intertexto. O Texto é uma rede de vários intertextos que acionam outros contínuo no universo do texto, ler todas as referências destes intertextos significa entender melhor o texto. O autor é apagado, e o leitor vai significar o texto - o sentido do texto não fica com o autor.
    Esta ideia do materialismo do discurso foi agregada ao formalismo, que via no texto a sua literariedade - o que os diferencia dos estruturalistas é a sua visão renovadora, ou seja, o estranhamento da linguagem , consideravam que o papel do autor é fazer o leitor chegar à uma conclusão.
    visão Estruturalista em"Vidas Secas" - o processo de desumanização vivenciado pela família sertaneja, como sendo uma metáfora não interessa e sim o que está no texto.
    Em Iracema ( José de Alencar ) do ponto de vista estrutural a narrativa poderia ser mais objetiva , sem a beleza , pois uma das grandes limitações do método estrutural é que ele não consegue solucionar o valor artístico, pois a caracterização do discurso literário ou a descrição estrutural de uma obra não explicam as razões de sua beleza.
    Marilene Nunes

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  8. De acordo com alguns estudiosos o estruturalismo não foi, propriamente, uma escola literária pelo simples fato
    de que seus autores não estavam presos a nenhuma "doutrina".
    Segundo o texto proposto em aula A morte do autor , a perspectiva de estruturalismo se dá pelo fato de que o autor precisa "entrar em sua morte para que a escritura comece". Mas, é notável que para se explicar a obra muitas vezes se busca conhecer o lado de quem a produziu, como se cada autor se confidenciasse em sua obra. Deste modo, fica impossível que haja impessoalidade em produções literárias, ainda que, essa seja a busca do estruturalismo: "o texto por ele mesmo".
    Neste contexto, fica impossível não lembrar da obra de Gustave Flaubert, Madame Bovary (1857). Em sua narrativa não há marca alguma do autor, sua narrativa em momento algum remete as opiniões e críticas de Flaubert. Mas, por se tratar de um escândalo da época, pois abordou temas como adulterio e fez sérias críticas a igreja e a burguesia, o autor foi julgado e em sua defesa ele declarou: “Emma Bovary c’est moi” (eu sou Emma Bovary) afirmando, assim, que a mesma indignação de Emma referente a igreja, a burguesia e as coisas mundanas, era dele também.
    Essa seria a proposta, que se fizesse uma nova leitura com outros olhos, procurando verificar se há marcações de pessoalidade do autor na superfície do texto ou se há somente em sua defesa.

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  9. Baseado na leitura do texto proposto e nas discussões em aula, conclui-se que o estruturalismo defende a ideia da análise do discurso, tudo parte do discurso e para o discurso, não importando o contexto histórico, desempenhando assim um caráter científico da obra. O formalismo russo buscava a literariedade, o estruturalismo por sua vez analisava o texto, tudo partia do texto. A análise da obra Mémorias Póstumas de Brás Cubas, sob a perspectiva do estruturaismo, seria vista apenas na sua superficialidade, o defunto autor narrando sua vida; não levando em consideração o contexto da época e o porquê, a intenção da narração.

    Maristela Cardoso da Rosa

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  10. Tanto o formalismo quanto o estruturalismo valorizam somente o discurso da obra. O estruturalismo nega qualquer fator externo, como por exemplo, o contexto social e histórico existente no momento de sua produção, assim como a influencia do autor nessa obra. A única intertextualidade admitida é a advinda de outros discursos, de maneira totalmente interna.
    No caso da obra “Feliz Ano Novo” de Rubem Fonseca, se for analisada segundo a proposta dos estruturalistas, não passará de uma história que faz apologia a violência. Para a devida valorização e compreensão da obra é necessário considerar o contexto da Ditadura Militar, o crescimento da população urbana, a violência que aumentava na periferia das cidades nos anos 70, ou seja, para uma leitura menos superficial da obra seria necessário considerar o seu contexto histórico.
    Ao considerar somente o discurso, os estruturalistas defendem que o leitor deva fazer sua leitura limitada ao explícito, que toda informação necessária para a compreensão da obra estaria descrita no discurso, desconsiderando todos os aspectos relacionados a sua produção.
    Graciela da Rocha Rodrigues

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  11. O Estruturalismo agregou ao Formalismo a ideia de que o que importa é o discurso, que, para eles, é a instância máxima do sentido, não importando se o contexto é social ou histórico, nem a vida do autor.
    Há uma busca pela impessoalidade nas obras literárias. Seguindo este pensamento, para entendermos realmente a obra, devemos "matar" a figura do autor. Eles "libertam" a obra da figura autoral e aumentam o poder de interpretação, de leituras por parte do receptor da obra, o leitor.
    Para os Estruturalistas, não é possível analisar o que não for entendido como discurso.

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  12. Em "Senhora" de José de Alencar, os formalistas provavelmente apontariam a "inovação" da figura da mulher através da personagem Aurélia, levando em consideração o contexto da época, no qual a mulher ainda era vista como dependente do homem (primeiro do pai e depois do marido). Os estruturalistas, por outro lado, deveriam encontrar essa independência feminina na própria obra, sem considerar o contexto histórico, o que, na minha opinião, é bastante possível de se fazer, já que, nesse sentido, há evidentes contrastes entre Aurélia e as outras personagens femininas em meio a narrativa.

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  13. O estruturalismo iniciou-se com o lançamento do Curso de Linguistica Geral, de Saussure.Não havia linguistica antes dele, o curso de linguistica geral detectou dois problemas: 1) outras ciências trabalhavam com o objeto com ponto de vista ao contrário do que acontece na linguistica(onde o ponto de vista cria o objeto); 2) e o outro problema fala sobre a linguistica apresentar duas faces que se correspondem. Saussure diz que a língua é homogênea, onde os falantes já a encontram pronta para usar.
    O princípio essencial da noção de estrutura do discurso literário decorre da distinção entre langua e parole formulada por Ferdinand de Saussure.

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  14. O estruturalismo considera apenas os personagens no livro, o discurso, sem considerar a história, o contexto, a época do autor, sem acreditar que isso influencia profundamente na obra.

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  15. A visão Estruturalista tem por objetivo fazer uma análise literária na organização do texto, sem observar contexto social de época que o livro foi publicado ou qualquer referência da vida do autor. Para essa corrente não interessa a opinião pessoal ou informações externas, e sim o que está no discurso da obra.
    Um exemplo é a obra “A metamorfose” de Franz Kafka que após Gregor passar por uma “metamorfose”, a família que até então dependia do caixeiro viajante, mobilizam-se e começam a trabalhar. No discurso da obra comprova que a família Samsas era acomodada precisou de um acontecimento para todos se mobilizarem.

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  16. É difícil pensar em uma análise literária de alguma obra sem considerar seu contexto histórico e todas as outras informações que vão criar o texto. O estruturalismo desprezava esses itens e só levava em conta o próprio discurso, o texto em si, voltando o olhar para a estrutura da narrativa.

    Se formos analisar a obra de Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas do ponto de vista estruturalista, o entendimento da obra fica muito superficial, já que o contexto e a intencionalidade do autor é necessária para a compreensão completa da história. A narrativa desta obra vai de encontro a narrativa estruturalista, porque não é linear; a história começa pelo morte da personagem para depois desenvolver tudo que a antecede.

    Suzana Avila

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  17. O estruturalismo agregou aos formalistas o estudo dos elementos subjacentes aos elementos, examinará suas estruturas, por exemplo, uma história, ao invés de focalizar em seu conteúdo analisará sua estrutura. Um exemplo são as similaridades entre 'Amor, sublime Amor' e 'Romeu e Julieta'. Apesar de as duas histórias ocorreram em épocas e lugares diferentes, um estruturalista argumentaria que são a mesma história, devido à similaridade das estruturas: em ambos os casos, uma garota e um garoto se apaixonam, conflito que é resolvido por suas mortes. Se considerarmos a história de duas famílias amigas que fazem um casamento arranjado entre seus filhos apesar deles se odiar, e que os filhos resolvem este conflito cometendo suicídio para escapar da união. Um estruturalista concluiria que esta segunda história é uma 'inversão' da primeira, porque o relacionamento entre os valores do amor e dos dois grupos envolvidos foi invertido. E mais, um estruturalista argumentaria que o 'significado' de uma história se encontra em descobrir esta estrutura ao invés de, por exemplo, descobrir a intenção do autor que a escreveu.

    Eliani Ludwig

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  18. O Formalismo compreende todas as estruturas de uma narrativa literária, por isso defendia-se a literariedade de um texto. Dessas estruturas pode-se citar personagens, tempo, espaço, narrador, etc. Já o Estruturalismo agrega ao Formalismo a questão da língua (linguagem). Ou seja, o texto pode ser analisado por sua linguagem, ou pela linguagem de uma determinada região, ou de uma personagem, etc. O texto que posso citar sobre está questão linguística é o Vidas Secas de Graciliano Ramos, no qual pode ser percebido a ignorância das personagens e que não dominam a língua.

    Acredito que todos os pequenos trechos de fala possam comprovar a questão da linguagem através da ignorância das personagens, mas uma parte específica fica mais clara.

    "- Conversa. Dinheiro anda num cavalo e ninguém pode viver sem comer. Quem é do chão não se trepa." (RAMOS, p. 94. 2011)

    RAMOS, Graciliano, 1892-1953. "Vidas Secas"/Graciliano Ramos; posfácio de Hermenegildo Bastos 115ª ed. - Rio de Janeiro: Record, 2011.

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  19. Conforme alguns colegas já mencionaram, podemos afirmar que o estruturalismo agregou ao formalismo a ideia de que, na obra, o importante é o discurso.
    Verificamos uma possibilidade de leitura diferente no poema “Teresa” de Manoel Bandeira, no qual conforme a regra estruturalista de imanência, a qual analisa o sistema por si e sem a necessidade de elementos externos, nota-se que o poema retrata três visões do eu-lírico em relação a uma mulher; essas três visões estão situadas em três tempos distintos; daí o porquê de o poema ser estruturado em três estrofes, cada uma representando um tempo (regra de integração: continuidade lógica no desenvolvimento de um sintagma). Essa marcação temporal dá-se através do primeiro verso de cada estrofe; os versos 1, 4 e 7 são, pois, elementos de função equivalente, que se relacionam segundo a regra de compatibilidade: eles representam os diferentes momentos em que o eu-lírico viu Teresa.
    Considerações válidas do poema podem ser retiradas segundo a regra estruturalista de comutação. Por exemplo, “Teresa”, título do poema e nome da mulher que o inspirou, pode ser alterado por outro nome feminino, desde que este seja paroxítono, a fim de se manter a continuidade do ritmo nos versos 1 e 4 [1] – o ritmo é fator construtivo e fundamental do verso, conforme defendia Eikhenbaum em suas teorias do método formal. Ainda estudando a comutação, é cabível a afirmação de que a troca do termo “perna”, na primeira estrofe, por outro termo contrastante com “cara”, isto é, contrastante com os elementos faciais, não causaria grandes mudanças ao significado pretendido pelo poeta. Se o termo “perna” fosse alterado por tornozelo, por exemplo, o contraste entre elementos corporais seria mantido, e, também, o sentido da estrofe (não-atração física). A regra de comutação explica que a mensagem transmitida permanece inalterada, apesar da seleção e troca de itens, porque é preservada a estrutura de relação entre os itens, responsável pelo sentido.
    [1] Essa observação não é válida se for considerada a intenção de Bandeira, em conformidade com os ideais modernistas de paródias e paráfrases, de fazer uma intertextualidade com o poema romântico “O Adeus de Teresa”, de Castro Alves. Tal fato, porém, é irrelevante para análises formalistas e estruturais, visto que essas analisam a obra em si, e não seu autor ou seu contexto histórico-social.

    Patrícia Quintana

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  20. Um exemplo literário,onde ocorre uma leitura diferente, se encontra em Iracema de José de Alencar. Esta obra aborda os conflitos tribais, intensificados pela intervenção dos brancos, preocupados apenas em conquistar mais territórios e dominar os indígenas. Do ponto de vista estrutural, seria descrito da seguinte forma: Chega ao continente americano um explorador europeu, que se une a uma virgem com funções sagradas em sua tribo. Essa união quebra um tabu. A moça paga com a morte. Deixa, no entanto, um filho mestiço, que implanta a civilização européia na região. Patrícia Tessmann

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  23. No texto científico o significado da linguagem é conduzido por um caminho único, levando o leitor ao objeto ao qual a linguagem se refere de modo direto, transparente e objetivo. Os estruturalistas não aceitam a descrição imanente, por acreditarem que um método científico não se extingue em operações práticas e singulares.
    O estruturalismo foca sua atenção na estrutura e funcionamento do discurso literário. A análise das obras deve ser feita sem levar em conta o contexto social e, sem a identidade do autor.
    A descrição estruturalista está presente na obra de José de Alencar “O Guarani” sem perder de vista as abstrações do discurso. O Guarani escrito após 35 anos da Independência refere-se ao Brasil como pátria da liberdade, onde a paisagem brasileira, para Alencar, será grandiosa e pomposa, símbolo de um país independente, que se firma como nação. O herói Peri é um herói nacional, idealizado, forte, vigoroso, ágil, belo e jovem, e de quantas virtudes existam.
    “Não é neste lugar que ele deve ser visto; sim três ou quatro léguas acima de sua foz, onde é livre ainda, como o filho indômito desta pátria da liberdade.
    Aí o Paquequer lança-se rápido sobre o seu leito, e atravessa as florestas como o tapir, espumado, deixando o pêlo esparso pelas pontas do rochedo e enchendo a solidão com o estampido de sua carreira”.

    Bibliografia – ALENCAR, José de; 1829-1877. José de Alencar – seleção de textos – Literatura comentada – pg 45. Fortuna Crítica – Estruturalismo – Ivan Teixeira.

    Arilza Orestes

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  24. O Estruturalismo manteve em parte a perspectiva do Formalismo ao propor a análise da obra desvinculada de seu contexto de produção e da influência que possa exercer esse contexto ou a figura do autor sobre a obra literária. Acredito que o Estruturalismo inovou ao buscar um modelo baseado na análise do discurso presente na obra, nos elementos linguísticos que a constituem.
    Acredito que um exemplo de análise renovadora seria do conto "La increíble y triste historia de la cándida Eréndira y su abuela desalmada" de García Márquez. A análise do texto nos revela uma história de exploração da neta pela avó, a construção das personagens de forma bem detalhada e o enredo repleto de elementos fantásticos. Ao inserirmos o contexto de produção da obra e os modos de pensar do autor podemos ampliar a interpretação alcançando a metáfora da relação entre os povos latino-americanos e os Estados Unidos, representados por Eréndira e sua avó, respectivamente, ao longo do século XX,.

    Vivian Anghinoni Cardoso Corrêa

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  26. Embora existam muitas diferenças entre o formalismo russo e o estruturalismo, é preciso destacar que “graças a uma percepção tardia, tende-se a reconhecer que as críticas formalistas e estruturalistas têm muito em comum” (MERQUIOR, 1991, p. 36).
    Ou seja, o estruturalismo preocupa-se em estudar as unidades de discurso, muito além da frase, que é o âmbito da linguística e pode-se ainda dizer que ambas complementaram-se até certo ponto.

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  27. Se o Formalismo analisa a configuração interna das obras literárias, é possível pensar que o Estruturalismo contribuiu com essas análises partindo também de investigações, de certa forma, externas. Sabe-se que os pressupostos estruturalistas decorreram da distinção entre “langue” e “parole” proposta pelo linguista Ferdinand de Saussure. Com isso, Ivan Teixeira (1998) – em seu artigo sobre o Estruturalismo, publicado na série “Fortuna Crítica” – diferencia dois métodos salientando que “a crítica imanente preocupava-se com a descrição do romance (parole); a crítica estrutural investiga o sistema de unidades narrativas anteriores ao romance (langue). Nesse sentido, a postura estrutural aproxima-se do método extrínseco de investigação literária” (p. 35). Esse procedimento, o qual busca as unidades preexistentes à obra analisada, pode ser exemplificado pela relação entre o romance “Dom Casmurro” (1900), de Machado de Assis, e a tragédia “Otelo” (1603), de William Shakespeare, uma vez que ambos os textos apresentam o ciúme como tópico principal.

    Danielle R. Betemps, em 12/11/2013.

    Referência:
    TEIXEIRA, Ivan. “Estruturalismo”. Cult, São Paulo, p. 34-37, out. 1998. (Fortuna Crítica, v. 4).

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  28. Às ideias do Formalismo, o Estruturalismo adicionou que o elemento principal da obra é o discurso, não importando o seu contexto nem a vida do autor. Dessa maneira, os Estruturalistas aumentaram o poder de interpretação do leitor. Essa questão de juízo de valor em cima das obras literárias acaba privando o leitor de uma possível interpretação da obra.

    Pensei como exemplo de obra "A Metamorfose", de Franz Kafka. Parece-me que se encaixa nessa visão estrutural, pois o discurso não fica preso às normas e a ''pomposidades'', ele diz exatamente o que é pra ser dito, sem dizer em que Gregor foi transformado. Apenas diz que ele sofre uma metamorfose, porque, afinal, essa não é a real problematização da obra.

    Acredito que esse trecho exemplifique a forma simples da descrição que dá margem pra varias interpretações:

    ''Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas costas duras como couraça e, ao levantar um pouco a cabeça, viu seu ventre abaulado, marrom, dividido por nervuras arqueadas, no topo de qual a coberta, prestes a deslizar de vez, ainda mal se sustinha.''

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  29. Uma das características do Estruturalismo é a forma, o modo como a história está implícita na narrativa, mais importante do que o conteúdo propriamente dito. Em "Ulisses" (1922), James Joyce faz uma adaptação, uma releitura moderna da "Odisséia". Este romance acontece em um único dia em que Leopold Bloom (que representa Ulisses), sai a procura de seu filho mas no caminho encontra algumas dificuldades e tentações que atrapalham sua busca, enquanto isso, sua mulher comete adultério. Joyce reinventa padrões sintáticos e de linguagem, produzindo recursos verbais diferenciados em sua obra e outro fator relevante é a questão de diferenciar duas épocas tão distintas com a sua narrativa, tornando-a diferente e renovadora.

    Susana Costallat

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  30. Conforme o estruturalismo que não faz analogias históricas com reflexões externas a obra, e o texto "A morte do autor",refleti sobre a leitura de '' O sol também se levanta "de Ernest Hemingway, da qual conclui que o autor realmente não é mais do que aquele que escreve,possibilitando ao leitor desvendar a história em si,sem alusões impostas externamente,e se,existiam passaram totalmente desapercebidas.O discurso discorre de forma plana dentro do texto,não emitindo opiniões do autor mesmo ao tratar assuntos que poderiam ser polêmicos como alcoolismo,violência,traição,prostituição...

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  31. A colega Clarissa Bubols pediu para avisar que levará o material impresso amanhã, pois está sem internet.


    Maristela Cardoso

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  32. Acho que o estruturalismo contribui sim para elaboração de obras que não só mais preocupassem com a sua forma, ou seja sua rimas e métricas e outros aspectos, visto que o discurso passou a ser valorizado também, de modo que um texto "perfeito" em sua forma,mas que nada diz ou pouco se entende, parou de ser exaltado, mas passou-se a ser contemplado o discurso do texto e o texto com a união das duas escolas passa a agradar.
    Penso que na obra de Altair Martins em Como se moesse ferro seria um boa exemplo deste tipo de junção das duas escolas literárias.

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  33. Uma das contribuições do formalismo russo é o conceito tratar a busca pelas regras da linguagem literária, aquilo que permite defini-la em oposição ao que não é literário. Nessa linha do Formalismo Russo, o Estruturalismo buscou modelos explicativos de cada um dos gêneros de literatura. Todavia, os críticos estruturalistas omitiram suas opiniões ideológicas, evitando o juízo de valor.
    Segundo Roland Barthes, trata-se de uma “actividade” que tem um fim específico: “O fim de toda a actividade estruturalista, seja ela reflexiva ou poética, é de reconstituir um ‘objecto’, de maneira a manifestar nesta reconstituição as regras do funcionamento (as ‘funções’) deste objecto.” (“A Actividade Estruturalista”, in O Método Estruturalista, de Luc de Heush et al., Rio de Janeiro, 1967, p.58). Fonte: http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=1034&Itemid=2
    Lembrei-me de Primeiras Estórias de Graciliano Ramos, a obra retrata questões universais de uma forma única, é mágico sem ser fantástico, não julga deixa para o leitor tirar suas próprias conclusões.

    LILIAN BIZARRO

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    1. Corrigindo: Guimarães Rosa e não "Graciliano Ramos".

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  34. O estruturalismo literário surgiu na década de 1960 com o intuito de se aplicar à literatura os métodos e interpretações de Saussure, fundador da lingüística estrutural moderna.

    O estruturalismo, como já se pode notar através da própria palavra, atem-se às estruturas ou ainda, ao exame das leis gerais que regem o funcionamento dessas estruturas. E sua aplicação à literatura requer um distanciamento da obra literária de questões não-literárias, ou seja, extra-textuais. Em outras palavras, a literatura não poderia deixar-se influenciar por questões que estivessem fora da “estrutura”, que seria a própria obra literária.

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  35. O estruturalismo analisa uma obra dentro do seu interior,ou seja,o que importa é o discurso.Sendo assim tudo que está implícito não é considerado,o contexto histórico social, o autor.
    Estes fatores foram aglomerados para o formalismo,sendo que este privilegia a textualidade da obra e considera as figuras de linguagem:ironia,metáfora e metoninia.A análise estruturalista é muito limitada e perde o valor literário,um exemplo disso seria a obra O CORTIÇO,que se levasse em consideração o contexto social, a interpretação seria bem diferente.( Graciele Borges)

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  36. Formalismo
    O formalismo russo é um método descritivo e morfológico, ou seja, visa o conhecimento da obra mediante uma descrição exaustiva dos seus elementos componentes e respectivas funções Interessaram-se pelos problemas fono-estilísticos do verso, ocupando-se com o estudo do ritmo, a relação do ritmo com a sintaxe, análise de esquemas métricos, eufonia etc. Fazem estudos semânticos da linguagem literária, sobre metáforas e imagens, fraseologia, técnicas usadas pelos escritores.
    O texto a seguir, por exemplo, foi analisado segundo a teoria dos formalistas russos.
    Gonçalves Dias (Coimbra, julho de 1843)
    Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá;
    As aves, que aqui gorjeiam,
    Não gorjeiam como lá.

    Nosso céu tem mais estrelas,
    Nossas várzeas têm mais flores,
    Nossos bosques têm mais vida,
    Nossa vida mais amores.

    Em cismar, sozinho, à noite,
    Mais prazer encontro eu lá;
    Minha terra tem palmeiras,
    Onde canta o Sabiá.
    Minha terra tem primores,
    Que tais não encontro eu cá;
    Em cismar — sozinho, à noite -
    Mais prazer encontro eu lá;
    Minha terra tem palmeiras,
    Onde canta o Sabiá.

    Não permita Deus que eu morra,
    Sem que eu volte para lá;
    Sem que desfrute os primores
    Que não encontro por cá;
    Sem qu'inda aviste as palmeiras,
    Onde canta o Sabia
    A “Canção do Exílio” é composta por cinco estrofes, sendo as três primeiras, quartetos e as duas últimas, sextetos. Todos os versos são formados por sete sílabas poéticas. Quanto às figuras de linguagem existentes no poema, podemos observar, por exemplo, nas expressões “Minha terra tem palmeiras” (metáfora), “ As aves que aqui gorjeiam” ( antítese) “ Nosso céu tem mais estrelas” ( metonímia), “ Que tais não encontro eu cá”, “Mais prazer encontro eu lá” ( comparação), “ Nosso céu tem...”, “Nossas várzeas te...”, “ Nossos bosques tem...”, “ Nossa vida...” (anáfora).
    Disponível em: Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/analise-do-poema-cancao-do-exilio/98132/#ixzz2kUJe9Zxn

    Estruturalismo:
    O texto é analisado sem buscar referencial fora, do texto por isso é vista pelos estudiosos como um mero resultado da linguagem, um produto fabricado e passível de ser inserido em categorias classificatórias. Assim, pode ser abordado como o alvo de qualquer disciplina científica. O Estruturalismo buscava modelos explicativos de cada um dos gêneros de literatura. Contudo os críticos estruturalistas omitiam as suas opiniões ideológicas, recusando ou evitando o juízo de valor, o que torna discutível sobre o comprometimento científico da obra literária.
    A "Canção do Exílio" é um dos poemas brasileiros que mais possui intertextualidades e paródias. Escrita em 1843, em Coimbra, onde o poeta estudava, a canção transformou-se num ícone múltiplo. Representa, antes de tudo, a saudade (e a idealização) da terra natal, um sentimento universal e sem idade. Além disso, tornou-se a expressão do nacionalismo num país que acabara de conquistar sua independência política.
    O Estruturalismo jamais busca informações que estão fora do texto, para eles não importa se há ou não intertextualidade.


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  37. O Estruturalismo agrega ao Formalismo no sentido de que passa a observar as obras literárias a partir de sua significação, ou seja, o sentido que se quer passar, sem enfatizar aspectos como o som, rima, etc. Também não são levados em conta aspectos sociais e históricos do contexto de determinada obra, a importância está na busca por um caráter científicos das obras literárias a partir dos aspectos de sentido do discurso expressado por elas.

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  38. O Estruturalismo
    O estruturalismo buscou entender uma obra pela sua imanência, isto é, buscar dentro da própria obra elementos estéticos que dialogassem entre si, mas sempre dentro da própria obra, e nunca fora dela, trabalha o que está explícito dentro do texto e não o que possa estar implícito, desprezando para isto ao próprio autor, ou seja, não interessando para esta analise o que o autor quis dizer e sim, o que está dito; era mais uma análise pragmática da obra, mas, levando em consideração o contexto histórico em que foi escrito; apoiando-se para isto na dicotomia saussuriana de “ referencial /referente “ ( Langue/parole), e sincronia/diacronia, contextualizando a obra com seu tempo.
    Desta forma eles apontavam elementos estruturais que podiam ser encontrados em outras obras contemporâneas, ou em obras escritas sob mesmos contextos históricos; se obras escritas em contextos históricos diferentes , mais baixo um regime ditatorial similar, encontraríamos entre elas um paralelismo , como por exemplo o grande uso de metáforas alusivas ao regime de repressão ao qual estavam subordinadas; utilizavam-se também da polissemia do signo.
    Para auxiliar nesse estudo os estruturalistas utilizaram- se de outras áreas de conhecimento, como a sociologia, historiografia, etc.; criando assim uma estrutura que dava conta de um grande número de obras literárias; e aquelas que não podiam ser analisadas, por não encontrar-se os elementos que eles preconizavam , eles afirmavam que pertenciam a outras áreas de conhecimento, e não à literatura; se esta teoria crítica avançava com relação ao formalismo ao dar mais autonomia ao leitor, por outro lado limitava-a, a apenas uma leitura contextualizada de uma época, e dentro da imanência do próprio texto.
    Uma obra bem representativa desta teoria literária e o conto de J. J. Viegas, de nome “A Maquina Extraviada”, escrito durante a ditadura militar; que em forma epistolar é contada “a chegada ao largo da prefeitura da cidade no sertão”; esta obra carece de significado se não a contextualizamos historicamente, já que não teria sentido falar por metáforas sobre uma simples máquina; mas ao contextualizarmos ela historicamente, vemos sim a “máquina repressora da ditadura que se instalou no planalto central, ou mais precisamente na capital Brasília”.
    A análise estruturalista serve também para a iconografia, em que um texto está aliado a uma imagem para reforçar esta ou fazer alusão a alguma coisa em especial, para tal cito como exemplo uma campanha a nível mundial, da veiculação de um comercial da marca Diesel, em que junto a uma foto de jovens acorrentados, rodeados de agua estava escrito a seguinte frase: “No son tus primeros jeans, pero podrían ser los últimos. Por lo menos dejarás un hermoso cadáver.” . Esta frase em português ficaria assim: “ Não são tuas primeiras calças de brim, mas poderiam ser as última. Pelo menos deixarás um formoso cadáver.” , esta frase foi escrita com a língua de cada pais em que foi veiculado tal comercial é em todos os países foi recebido como uma campanha publicitária mais, todos com exceção de um em especial, por retratar na história recente fetos que aconteceram e que ainda representava uma ferida aberta por encontrar um referencial direto, esse país era Argentina, que teve em sua história uma ditadura que acorrentava os jovens que transportados em aviões em que eram jogados fora no “Rio de la Plata”, cujos cadáveres eram encontrados muitas vezes nas costas de Uruguay.
    Para quem quiser ver a imágem aqui vai a URL
    https://lh6.ggpht.com/sJruBAaDwqF1xIWtR3vuTvz2D2gcKL2JqUXwZM7_0oeEnNdSLTICJwzNHdcX8P87ObecV5A=s85
    Aqui também vai o conto “A Maquina Extraviada”
    https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=gmail&attid=0.1&thid=1404b7ae7767bd78&mt=application/vnd.openxmlformats-officedocument.wordprocessingml.document&url=https://mail.google.com/mail/u/0/?ui%3D2%26ik%3Deaaf7444b8%26view%3Datt%26th%3D1404b7ae7767bd78%26attid%3D0.1%26disp%3Dsafe%26realattid%3Df_hjytztav0%26zw&sig=AHIEtbRmMrAgscSDqMg3v4j9Dwm4L7A4Dg

    Edgardo Piriz Milano

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  39. Estruturalismo.
    Da forma a analisar "a obra pela obra", assim como o formalismo, buscando dentro do texto apenas o que e como ele está construído, tais análises despertam ao leitor algumas limitações divergentes. Enquanto o formalismo não permite uma análise mais profunda ou melhor dizendo contextual, procurando sua época, numa análise social e histórica, o estruturalismo busca dentro do texto seu conceito histórico e social, porém, faz isso, observando o que o texto oferece de forma somente explícita, deixando assim de lado o interesse no que está implícito e também a autoria da obra.

    Cito a obra "La Celestina" de Fernando de Rojas, de 1499, sobre a perspectiva de uma análise estruturalista, destacaria nesta obra a preocupação de uma civilização atolada em dogmas e conceitos religiosos, desde Cristãos a Feiticeiros, também poderia destacar a colocação da mulher perante uma sociedade de uma época machista.

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  40. José Lins do Rego escreve o que posteriormente foi chamado literatura do ciclo da cana de açúcar no qual procura recriar a atmosfera de uma classe senhorial do Nordeste que viveu séculos da exploração da cana de açúcar e entra a partir de mais ou menos 1870 em franca decadência que se acentua ainda mais nas 2 primeiras décadas do século XX.

    Seu primeiro romance deste ciclo intitulado “Menino de Engenho” conta a trajetória do personagem Carlos de Melo no período da infância sob as cores de uma infância sem problemas numa paisagem tranqüila onde o personagem que pertence a uma classe senhorial vive e vê a vida deste ponto de vista e percebe o mundo sem grandes sobressaltos, brinca como os outros meninos de sua idade, se alimenta como os meninos de sua classe social, etc. Seria o tipo de livro descompromissado, desproblematizado, mar de rosas, numa infância feliz, exceto pelo inicio do livro em que a mãe é assassinada pelo pai e a DST que adquire em sua relação sexual, tirando estes 2 acontecimentos temos esta criança numa vida regalada.
    Essa problematização necessária para lermos a obra Menino de Engenho só pode ser dada, em minha opinião, com elementos extra-textuais, coisa que o formalismo e o estruturalismo não permitem. Ambas correntes tiveram o mérito de fazer nascer uma crítica literária com pretenções de disciplina científica, tirando a análise da literatura do campo subjetivo e dotando-a de elementos necessários para permitir uma porta de entrada no texto de modo a possibilitar uma melhor fruição da obra de arte. Entretanto ambas as correntes centram suas análises nos elementos internos presentes no próprio texto, não admitindo contribuições de elementos presentes fora do texto analisado. Tais correntes ainda que pese seu pioneirismo e seu esforço de análise, são incapazes de problematizar questões sobre o narrador ou sobre a narrativa realizada na obra Menino de Engenho, justamente por nao incluir uma contextualização necessária conforme apontei no primeiro parágrafo deste post.

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  41. A perspectiva estruturalista inova em relação à formalista por propor uma análise que não seja completamente encerrada em uma obra particular, mas que recorra a discursos, modelos ou estruturas previamente notados e observe como esses modelos se corporificam em uma ou mais obras. Nas palavras de Todorov, “O objetivo desse estudo não é mais articular uma paráfrase, um resumo argumentado da obra concreta, mas propor uma teoria da estrutura e do funcionamento do discurso literário, apresentar um quadro dos possíveis literários, do qual as obras literárias existentes aparecem como casos particulares realizados.” (TODOROV, 2006, p. 80) O autor chega a demonstrar essa variedade de realizações em passagens de “As Estruturas Narrativas”, explicitando como se podem estabelecer esquemas recorrentes, como o esquema da intriga (TODOROV, 2006, p. 85) e como as obras podem violar ou atender a certos princípios desse esquema na sua manifestação concreta.

    Um exemplo de leitura renovadora a partir dessa perspectiva é a do conto “El presupuesto”, de Mario Benedetti. Os funcionários de uma repartição ficam em constante expectativa pela chegada de um novo orçamento do Ministério e, certos de que terão acesso a essa verba em breve, põem-se a adquirir bens materiais. No entanto, o orçamento inesperadamente demora a chegar, e a expectativa continua até o final do conto, dando a entender que essa angústia continuará a se prolongar. Nesse sentido, uma análise estrutural mostra muito mais do que um simples “final triste”, mas uma violação de uma determinada estrutura do conto, na qual temos um status quo, um conflito e uma resolução definitiva. Pelo contrário, o conflito parece se estender para além do conto – a última frase é “Pero dice el Ministro que el presupuesto será tratado sin falta en la sesión del próximo viernes.” (“No entanto, diz o Ministro que o orçamento será tratado sem falta na sessão da próxima sexta-feira.”)

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  42. Como foi apresentado a escola estruturalista mantém se ligada a formalista, amparando se nesta para desenvolver seus estudos apontando como principal diferença o cientificismo, ou seja, o rigor científico como critério a obra se manifestada de maneira pré elaborada.
    Márcio Rodrigues T2

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  43. Em uma visão estruturalista em que a analise se limita aos limites estruturais do texto,isto é, analisa a materialidade do texto poderíamos supor uma possível leitura estruturalista e também uma visão formalista para a seguinte passagem da obra de Erico Veríssimo Um certo capitão Rodrigo:
    "Buenas e me espalho, nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho!"
    Este trecho refere-se a fala de capitão Rodrigo ao chegar em santa fé,Uma visão estruturalista analisaria os aspectos da fala regional do personagem como "prancha" e "talho" que se refere ao facão de lado e a parte cortante do facão respectivamente.Uma visão formalista, por sua vez, iria levar em consideração também o sentido de impacto que causa a frase demonstrando um símbolo do gaucho destemido, generoso e com espírito libertário porem este símbolo é inspirado em homens que historicamente não eram tão amigáveis assim.Na segunda analise foi observado um aspecto que não esta contido no texto,esse perfil estava contido nos documentos da época que descrevem os gaúchos quase como páreas.

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  44. Segundo o Estruturalismo, a interpretação te um texto pode ser feita apenas com elementos que nele constam. Possíveis inferências feitas pelo leitor que saiam da estrutura do texto não são caras aos estruturalistas. Bem como no Formalismo, o trabalho com a linguagem é de muita importância ao Estruturalismo. Este é, entretanto, um pouco mais abrangente do que aquele, uma vez que trabalha também com uma maior base científica no texto; as relações que os fatos apresentados neste texto têm com o restante do mesmo, ou com enredo em si, é o que de fato importa aos estruturalistas. Na obra "A Metamorfose" de Franz Kafka (1912), por exemplo, interpretar a relação da personagem Gregor Samsa com a família como sendo uma representação -desabafo- do autor a sua prórpia relação com o pai - que fora muito conturbada - não é algo que a visão estruturalista sustente; logo, uma análise contextual da obra não é plausível para o Estruturalismo.
    Por outro lado, inferir que a trama pode ser um ciclo vicioso envolvendo as relações na família de Gregor é algo que, se sustentado por eventos existentes na história, pode ser coerente, já que no início é Gregor quem sustenta a casa e paga as dívidas da família: "Se não me contivesse, por causa dos meus pais, teria pedido demissão há muito tempo. (...) Bem, ainda não renunciei por completo à esperança: assim que juntar o dinheiro para lhe pagar a dívida dos meus pais - deve demorar ainda de cinco a seis anos - vou fazer isso sem falta." (KAFKA, 2010, pg. 9), e ao final, após a morte de Gregor, os pais veem na irmã dele uma oportunidade de não serem desamparados: "Enquanto conversavam assim, ocorreu ao senhor e à senhora Samsa, quase que simultaneamente, à vista da filha cada vez mais animada, que ela - apesar da canseira dos últimos tempos, que empalidecera suas faces - havia florescido em uma jovem bonita e opulenta. Cada vez mais silenciosos e se entendendo quase inconscientemente através de olhares pensaram que já era tempo de procurar um marido pra ela." (KAFKA, 2010, p. 84 e 85).

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  45. “[...]O que havia acontecido com a história literária? tornava-se necessária uma teoria literária que, embora preservasse a tendência formalista da Nova Crítica, insistindo no fato de a literatura ser um objeto estético e não uma prática social, fizesse de tudo isso algo mais sistemático e ‘científico’[...]”.(Eagleton, 2006, p.137)

    “As opiniões linguísticas de Saussure influenciaram os formalistas russos, embora em si o formalismo não seja exatamente um estruturalismo. Ele vê os textos literários “estruturalmente”, e transfere a atenção do referente para o signo em si mesmo, mas não se interessa particularmente pela significação como um elemento diferencial ou, como ocorre em grande parte da obra formalistas, pelas leis e estruturas ‘profundas’ que subjazem aos textos literários. Foi, porém, um dos formalistas russos – o linguista Roman Jakobson – quem estabeleceu a ligação principal entre o formalismo e o estruturalismo moderno[...].”(Eagleton, 2006, p.147)

    “[...] A própria palavra ‘estruturalismo’ indica um método de investigação, que pode ser aplicado a toda uma gana de objetos[...]”(Eagleton, 2006, p.151)

    De acordo com as citações acima da obra “Teoria da Literatura Uma Introdução”, de Terry Eagleton, e o mencionado no texto acima, podemos notar que os formalistas analisavam a literariedade do texto e os estruturalistas estudavam o discurso e o que está dentro dele. Os estruturalistas preocupavam-se apenas com o discurso e não analisavam o contexto histórico, pois para eles não havia a possibilidade de transformação porque tudo era considerado discurso. Criaram uma estrutura capaz de dar conta de todos os elementos do texto, na qual a especificidade de cada obra não era importante, mas o que interessava era a estrutura e como era utilizada para compor a obra.
    Ler o texto e compreendê-lo no limite da sua materialidade é o que o estudo estruturalista se impõe. Tudo é linguagem, sem se colocar em um contexto histórico e social, pois o trabalho dos estruturalistas era a análise dos elementos linguísticos. Utilizavam um método de análise fechado, pois eles descreviam e analisavam rigorosamente os objetos de estudo.
    Em “O Cortiço”, de Aluízio de Azevedo, podemos citar o seguinte trecho:
    “ Eram cinco horas da manhã, e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da última guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia”(Azevedo, 2010, p.21). Neste trecho se analisarmos pelo aspecto formalista, poderemos observar o modo como a linguagem literária foi utilizada para retratar o Cortiço. Já se analisarmos pelo aspecto estruturalista, podemos notar que o Cortiço está sendo mencionado no texto como um personagem da narrativa e, o fato de o cortiço ser o protagonista principal dessa narrativa é o ponto ao qual os estruturalistas iriam se deter, pois eles analisavam o personagem dentro da obra e não em um contexto maior.

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  46. Respostas
    1. Um crítico estruturalista analisaria a relação subjacente dos elementos a estrutura, como exemplo, uma história, ao invés de focalizar em seu conteúdo. Um exemplo básico são as similaridades entre 'Amor, sublime Amor' e 'Romeu e Julieta‘. Apesar de as duas histórias ocorreram em épocas e lugares diferentes, um estruturalista argumentaria que são a mesma história, devido à estrutura similar: em ambos os casos, uma garota e um garoto se apaixonam (ou, como podemos dizer, são +AMOR) apesar de pertencerem a dois grupos que se odeiam (-AMOR), um conflito que é resolvido por suas mortes. Consideremos agora a história de duas famílias amigas (+AMOR) que fazem um casamento arranjado entre seus filhos apesar deles se odiarem (-AMOR), e que os filhos resolvem este conflito cometendo suicídio para escapar da união. Um estruturalista argumentaria que esta segunda história é uma 'inversão' da primeira, porque o relacionamento entre os valores do amor e dos dois grupos envolvidos foi invertido. Adicionalmente, um estruturalista argumentaria que o 'significado' de uma história se encontra em descobrir esta estrutura ao invés de, por exemplo, descobrir a intenção do autor que a escreveu. Entretanto, Formalismo Russo analisaria a forma literária e o estudo dos artifícios internos do texto. O autor e o contexto não eram essenciais para os formalistas A obra literária não era um veiculo de idéias ou reflexão social Literariedade: qualidade literária e traços distintivos do texto literário Não se desconsidera, a não ser em algumas exceções, o contexto histórico da obra A perspectiva diacrônica era indispensável para a teoria A adsense compreensão do objeto literário deve partir do próprio objeto Comparar linguagem poética com linguagem cotidiana Método descritivo-morfológico (descrição da obra e das suas funções) Entender que procedimento será usado para estruturar a obra (escolha de ABAB por exemplo tem implicação formal sobre o sentido, ponto de vista subjetivo ou objetivo). A forma vai ser tudo o que se pode entender em um texto Natureza autônoma da linguagem poética.

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  47. gente, Qual a relação entre a postura dos formalistas russo?

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  48. Ainda é um pouco confuso para mim. Estou fazendo a disciplina de Crítica Literária e estou diante de dois textos: um de Chklovski e outro de Barthes (ou seja, um formalista russo e um estruturalista). A impressão que tenho é que há pontos em comum, especialmente a questão da leitura imanentista do texto. O primeiro parece estar preocupado em analisar os procedimentos (imagem poética e recursos estilísticos) utilizados pelo autor/escritor (realmente, sem importar quem seja) que dão valor estético à obra. Em outras palavras, a forma que leva a uma maior percepção estética pelo leitor. O segundo, partindo também de uma leitura imanente do texto, fala em atividade estrutural (não o Estruturalismo de Saussure). Uma atividade que analisa a obra por etapas: decompõe o texto, agrupa elementos em conjuntos de acordo com suas semelhanças, analisa a interrelação entre eles, a função de cada elemento dentro do contexto do texto, e posteriormente a recompõe, trazendo um objeto novo, inteligível. Ou seja, analisando a obra com mais profundidade e não apenas na superfície, adicionando à obra original o simulacro (o objeto real, inicial + intelecto humano). Os elementos ou unidades que foram agrupados, analisados, inter-relacionados podem ser personagens, lugares, contextos sociais, etc. Ou seja, não me parece que a atividade estruturalista esteja totalmente afastada do contexto social, desde que esse elemento esteja presente no texto. Dessa maneira, a impressão que tenho é que a análise estrutural é mais complexa e profunda que a realizada pelos formalistas. Mas, ainda engatinhando nessa matéria.

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