quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Desconstrutivismo

Auto-desretrato
Lucas Simões - série desretratoshttp://www.lucassimoes.com.br/desretratos

Ao considerar que a perspectiva de Jacques Derrida é contrária à concepção logocêntrica do pensamento metafísico, tendo em vista, principalmente, uma crítica ao posicionamento binário que sustenta o valor do centro a partir da afirmação do não-valor do seu oposto (homem/mulher, natureza/cultura, fala/escrita, espírito/corpo, etc.), comente as possibilidades que essa forma de pensar pode trazer para a leitura de uma obra literária (cite uma obra na qual essa abordagem pode ampliar a sua leitura). Cabe enfatizar que as concepções e práticas do pensamento de Derrida voltam-se para os sistemas interpretativos, desestruturando e desconstruindo o discurso que elabora o entendimento amplo para que várias possibilidades possam advir desses "fragmentos", dessas diferenças (différance), nas quais é possível perceber a natureza da consciência humana como intrínseca à noção de linguagem.

68 comentários:

  1. Pensando no Desconstrutivismo como uma teoria que trabalhava com o binário, e que a partir dos elementos formais da obra possibilitava uma outra possível análise, propomos a desconstrução da personagem Aurélia no livro Senhora de José de Alencar.
    Desta forma a personagem protagonista do romance "compra o casamento" e assume uma postura dominadora, o que no contexto da obra era um comportamento inusitado, pois Fernando a "trai" por dinheiro, no entanto, toda essa atitude ao final é amenizada pelo “ato de amor” que a personagem se submeteu para ficar com quem gostava. No entanto podemos trabalhar com a perspectiva de que a decisão da personagem dá-se pelo orgulho de possuir e “dominar” alguém que a rejeitou.
    A relação homem/mulher é evidenciada através do comportamento ambíguo da personagem durante a narrativa, o que permite o questionamento acerca do motivo pelo qual a personagem decide se casar com Fernando. Sendo assim, a desconstrução da obra se dá pelo fato da protagonista ter agido por amor ou por puro orgulho.

    ResponderExcluir
  2. A partir do movimento da desconstrução e do posicionamento binário é possível analisar a personagem “Carmilla”, da obra gótica de mesmo nome, do escritor irlandês, Joseph Sheridan Le Fanu.

    A personagem Carmilla pode ser descontruída pela quebra de parâmetros que ela representava para o universo feminino, acostumado com a submissão da mulher frente à sociedade, assim como do conservadorismo. Carmilla era dominante em suas relações de convivência tanto sociais quanto amorosas. A bela e mortal vampira, que foi fonte de inspiração para obra, o Drácula de Bram Stoker, mantinha um relacionamento, homossexual, com as suas vítimas, no caso, Laura, a personagem vitimada que narra a história.

    “Há, na relação entre Laura e Carmilla, um lesbianismo latente extremamente ousado para os rígidos padrões morais da Inglaterra vitoriana. Laura admite que estava consciente de um amor que se intensificava até a adoração, mas também de algo aversivo que não conseguia entender. Num trecho do livro, Laura afirma: “Corava levemente, fitava meu rosto com os olhos lânguidos e ardentes, respirando tão ofegante que seu vestido subia e descia com o atribulado fôlego. Era como o ardor de um amante, e isso me constrangia; era uma sensação odiosa e no entanto arrebatadora. Com o olhar triunfante, ela me puxava, e seus lábios quentes passeavam em beijos pelo meu rosto. Então sussurrava: Você é minha, você será minha, você e eu seremos uma só para sempre”.”

    “Laura explica a atração que Millarca tinha por ela da seguinte maneira: “O vampiro tende a ficar fascinado, com uma intensidade absorvente que lembra a paixão, por uma determinada pessoa. (…) Nunca desiste até saciar sua paixão, sugando a própria vida de sua cobiçada vítima. Nesses casos, porém, ele poupará e prolongará seu prazer assassino com o requinte de um especialista, e o intensificará com os progressivos ataques de um cortejar malicioso”.”

    (http://www.diariodocentrodomundo.com.br/grandespersonagensdaliteraturacarmilla-avampira-lesbica-e-a-sexta-da-lista/ - acessado em14/11/2013às 15h09min)

    Sendo o posicionamento binário existente, o sistema patriarcal moralista, limitador e conservador, em oposição à interação e o papel da mulher na sociedade.

    (Carolina Brahm da Costa)

    ResponderExcluir
  3. O desconstrutivismo propõe uma leitura além do conceito binário bom/mau, homem/mulher. Descontruindo conceitos formais e estruturalistas dando uma margem maior as possibilidades de interpretação. Apresento uma possível leitura do conto Passeio Noturno de Rubem Fonseca sobre um viés desconstrutivista. O protagonista do conto, um pai de família, empresário, “gordo”, que costumeiramente saía às noites no seu carro esporte buscando uma vítima para atropelamento e o executava com perícia. Pela ótica binária, esse empresário era rico (não-pobre), gordo(não-magro), pai de família (não-solitário), entre outros. Entretanto fugindo da oposição 1 ou 0, ele podia possuir bens materiais, entretanto não usufruía plenamente destes, pois trabalhava a maior parte do seu tempo. Era gordo por não ter tempo para cuidar de si mesmo, devido à rotina de trabalho. Patriarca de uma família na qual ele não era presente e se sentia solitário, pois o pouco tempo que estava em casa ia para biblioteca e após o jantar saía para o seu passeio noturno. Este passeio era quando o nosso “herói” ou “anti-herói” ou quem sabe nenhuma dessas análises binárias, podia “aproveitar” o seu carro possante que contrapunha o seu físico obeso. O conceito natural de “pai de família” é de alguém responsável e que deve presar pelo bem social, contraditório a tudo isto, o nosso personagem se mostra um psicopata frio à procura de uma vítima aleatória para o seu crime diário. Creio com esta breve exposição crítica ter apresentado argumentos que demonstram uma possibilidade de interpretação mais abrangente através do desconstrutivismo para esta obra.

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  5. O desconstrutivismo desfaz a organização do texto para neste texto “fragmentado” encontrar uma variedade de sentidos que poderiam estar escondidos no texto em sua forma original. Rompe com a concepção logocêntrica do pensamento metafísico e com o posicionamento binário. Uma obra na qual esta teoria seria bem aplicada é o livro “O primo Basílio” do Eça de Queiroz. Nesta obra a personagem Luísa, a princípio vista como a mulher fútil, mimada, que trai o marido facilmente com o primo, torna-se, ao ser chantageada por Juliana, uma mulher frágil, dominada, que rasteja, humilhada e sofredora perante sua algoz. Na perspectiva do Desconstrutivismo, fazendo uma análise profunda, abrem-se duas possibilidades. Ou Luísa é a vilã, que trai ardilosamente o marido e ao tornar-se presa de Juliana mostra o seu caráter frágil e humilde só por estar em uma posição de desvantagem perante sua opositora, ou Luísa é a vítima, a pobre mulher que casa-se mais por comodismo do que por amor, que com a ausência do marido, deixa-se seduzir pelo primo por estar carente, primo este que usa e descarta a pobre mocinha e que para piorar a sua situação ainda fica nas mãos da perversa Juliana.

    Janaína de Oliveira

    ResponderExcluir
  6. Um texto pode ser desconstruído através das palavras do leitor, que podem ir além das próprias suposições deste texto, reconstituindo as oposições encontradas nele dentro de sua própria linguagem.
    “A teoria de Barthes fica bem próxima de Derrida: a leitura crítica de um texto literário não objetiva um único sentido mas a descoberta da sua pluralidade de sentidos”. Um exemplo desta teoria pode ser encontrada na obra “Vidas Secas” de Graciliano Ramos:
    Fabiano perdeu no jogo e foi preso pelo soldado amarelo que tinha o poder e o poder era o governo então Fabiano não brigou porque se fosse gente saberia falar e não teria o litígio, mas não falou, obedeceu a autoridade do amarelo. Mas o amarelo não teve compaixão e pisou, machucou, coisa que Fabiano não faria porque era humano, rude, trabalhador e conhecia as agruras da vida. Aqui vemos a desumanização do homem, ser humano, desrespeitado pelo poder que é representado pelo soldado e que apesar do personagem Fabiano sentir-se um nada naquele cenário, ele sabia que para a família ele representava a segurança, a confiança, e a esperança em dias melhores!
    Este livro é sempre atual, nos dias de hoje devido a questões sociais como a fome, abuso da autoridade, da miséria, da exclusão, fatos estes vivenciados por milhares de brasileiros. (Ramos, l977).

    Arilza Orestes

    ResponderExcluir
  7. DESCONSTRUTIVISMO

    Não há de existir o conceito "desconstrutivista" sem o conceito "estruturalista".

    O Estruturalismo, detentor de análise cartesiana e objetiva da literatura e da Literatura (cujo valor foi fortemente questionado no século XIX), teve, no século XX, uma resposta à altura de cunho einsteiniano e subjetivo pelo Desconstrutivismo.

    Este zigue-zague de conceitos que são formulados, aprimorados, reformulados, derrubados, negados, criticados ao longo do tempo são motivados por utopias de inúmeras ordens. No Desconstrutivismo, o "qu'est-ce que" permanente e sistemático põe em questionamento tudo que tem ar de não merecer ser questionado. A "différence" tomou a forma de "différance" para fragmentar o dito infragmentável. Romper com a verdade absoluta e "ler pelo avesso" são a alma da trama desconstrutivista.
    Esta é, portanto, a ocasião de mergulhar na interpretação dos textos (onde o autor ressuscita) e de deixar de lado as formas engessadas propostas pelo Estruturalismo.

    Assim sendo, referindo-se à obra "l'étranger", de Albert Camus (1942), por que Meursault deveria aceitar a proposta do patrão de ir trabalhar na nova filial da empresa em Paris? Não há problema nenhum se um cidadão não quiser uma nova oportunidade profissional pelo simples fato de ele não ter mais ambições em sua vida e de ele estar bem feliz onde vive e como vive (quebra do binário "ambicioso" x "acomodado"). Por que Meursault deveria ver o rosto da sua mãe no momento do velório dela? Não há problema nenhum se o apego que ele tinha pela mãe dele não o motivasse para lhe dar o seu último adeus "tête à tête", pois ele já havia se acostumado com a vida sem ela (quebra do binário "humano" x "monstro"). E, no mais, ainda fazendo ponte ao último binário, por que Meursault deveria chorar pela morte da sua mãe? Não há nenhum problema se ele não sentisse mais o mesmo apreço por sua mãe e que sua morte tenha sido um alívio para ela mesma em relação ao seu sofrimento que ela tinha tido decorrente de um tumor.

    Assim sendo, estes questionamentos desconstrutivistas dão margem à quebra da verdade absoluta estruturalista e ao processo de interpretação do que está por trás da literariedade.

    ResponderExcluir
  8. A obra" Caim" de 2009 do escritor José Saramago tem como foco o questionamento do caráter e da justiça divinos. Para Saramago o Deus cristão faz dos seres humanos marionetes a seu bel prazer, inclusive induzindo Caim ao primeiro homicídio da história cristã, desse modo a obra desconstrói a concepção cristã de um Deus justo, onipotente, onisciente e bondoso; e mostra a face de um Deus egoísta, vingativo que se deixa levar pela ira.
    Flamarion

    ResponderExcluir
  9. Desconstrutivistas tinham uma perspectiva diferente: enxergar em uma obra o "outro lado", aquilo que os estruturalistas não costumavam trazer. Sob um olhar desconstrutivista, podemos analisar a obra Madame Bovary, de Flaubert. A visão estruturalista mostra apenas o lado obscuro de Emma, onde ela é uma adúltera, mas desconstruindo essa obra, poderíamos pensar na grande coragem de Emma em se aventurar em seus romances, afinal naquela época se ela fosse descoberta não lhe restaria mais nada, e mesmo tendo morrido jovem e de uma maneira fria, Emma foi feliz e fez tudo o que teve vontade de fazer em vida.

    ResponderExcluir
  10. Através das discussões em sala e da visão do Desconstrutivismo analisa-se em "O Cortiço", de Aluísio de Azevedo: a moral, os sentimentos, a promiscuidade entre outros elementos psicológicos das personagens. A estes pontos levantados há ou não o julgamento de valores?
    Na visão desconstrutivista, vai da interpretação do leitor que poderia imaginar para cada cena uma ideologia distinta da obra: o que teria ocorrido se Bertoleza não tivesse cometido o suicídio e/ou João Romão não fosse tão ostentoso?
    O leitor quando levanta hipóteses contrárias à obra, está exercitando o Desconstrutivismo.

    ResponderExcluir
  11. DESCONSTRUTIVISMO
    O pensamento e as práticas de Jacques Derrida orientam-se, sobretudo, para sistemas de interpretação e não diretamente para obras literárias. Apesar de o filósofo ter fundado sua análise, principalmente em pensadores como Platão, Rousseau, Nietzsche, Freud, Husserl, Marx, e Lévi-Strauss, é evidente que ele deteve-se, também, em textos literários e concepções artísticas, como no caso de estudos realizados sobre Mallarmé e Antony Artaud. A partir daí estabeleceu-se alguns passos para a abordagem do texto literário como a teoria abordada por Charles E. Bresser e Jonathan Culler são elas: Descobrir as operações binárias que desestruturam o texto literário, comentar os valores, os conceitos e idéias que subjazem a essas operações, subverter as operações binárias existentes no texto, desconstruir as concepções implícitas no texto, a partir de novas relações binárias, admitir a hipótese de uma terceira saída e de outros níveis de significação e deixar em aberto a interpretação do texto baseando-se no princípio de que significado é sempre móvel,múltiplo e ilimitado. Alguns desses princípios foram aplicados por Haroldo de Campos em “O sequestro do barroco literatura brasileira”: O caso Gregório de matos, com a intenção de rever alguns aspectos da teoria formulada por Antonio Candido na formação da literatura brasileira.

    Solismar Duarte Pereira

    ResponderExcluir
  12. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  13. Tendo como base as discussões feitas em aula, conclui-se que o desconstrutivismo visa desmembrar todas as partes do texto de modo a tornar possível mais de uma interpretação sobre ele. No entanto, a ideia que se vai interpretar precisa estar de alguma maneira dentro do discurso; a tarefa do leitor, portanto, é enxergar com outros olhos aquilo que está explicito no texto, fazendo assim uma desconstrução dele. Ao contrário do estruturalismo, o desconstrutivismo, não está preocupado com estrutura ou discurso.

    Pode-se citar a obra de Machado de Assis, Dom Casmurro, como um exemplo. Esta obra está estruturada de modo a deixar clara a incerteza do adultério de Capitu. Não há algum fato que prove isto. O que se tem é apenas a visão do narrador, que por sua vez, é Bentinho, "supostamente" traído. Cabe ao leitor, então, desconstruir a estrutura do texto e a partir de sua interpretação chegar a uma conclusão para o acontecimento do adultério.

    Suzana Avila

    ResponderExcluir
  14. O movimento da desconstrução, é apenas uma das diversas tendências do pensamento crítico do chamado pós-estruturalismo. Começa por questionar a noção de centro no conceito de estrutura. O pós-estruturalismo instaura uma teoria da desconstrução na análise literária, liberando o texto para uma pluralidade de sentidos. A realidade é considerada como uma construção social e subjetiva. A abordagem é mais aberta no que diz respeito à diversidade de métodos. Temos como exemplo Lucíola de José de Alencar, que por um ocorrido acaba criando uma personagem que ela não é.

    ResponderExcluir
  15. O Desconstrutivismo possui uma nova maneira de pensar e desconstruir a visão de certo e errado, positivo e negativo, etc. Para os estruturalistas, questões como adultério, por exemplo, eram vistas de forma negativa. Entretanto, os desconstrutivistas questionam o porquê de uma sociedade estar pautada por estas dicotomias. Para ilustrar, através da perspectiva desconstrutivista, pode-se analisar a personagem Rita Baiana, da obra O Cortiço de Aluísio Azevedo, que se envolve com mais de um homem - algo negativo na visão estruturalista -, mas, que por uma perspectiva desconstrutivista, Rita está agindo apenas conforme sua vontade, já que ela não aceita seguir o método tradicional do casamento a fim de não estar presa a apenas um homem como uma escrava. É possível observar o repúdio de Rita ao casamento no trecho abaixo:
    “[...] Casar? Nessa não cai a filha de meu pai! Casar? Livra! Para quê? Para arranjar cativeiro? Um marido é pior que o diabo; pensa logo que a gente é escrava!...” (AZEVEDO, 1981, p. 46 apud http://www.uft.edu.br/pgletras/revista/capitulos/texto_7.pdf).

    ResponderExcluir
  16. A partir da perspectiva desconstrutivista de análise, propõe-se, como exemplo, um desmembramento possível de interpretação do narrador-personagem do conto “Missa do Galo”, de Machado de Assis.
    Nogueira (o narrador) relata um acontecimento ocorrido muito tempo antes do momento da narração, quando contava dezessete anos. Trata-se de uma conversa que teve, na noite de Natal, com a mulher do escrivão Meneses – a “boa” e “santa” Conceição (p. 14). A partir daí, o leitor é guiado pela narração em primeira pessoa, a qual sugere que a personagem feminina visa seduzir o narrador-personagem durante o colóquio. Entretanto, mesmo antes do encontro entre Conceição e Nogueira na sala da casa do escrivão, o narrador deixa pistas de seu estado de espírito. Uma delas configura-se na passagem em que Nogueira diz estar “completamente ébrio de Dumas” (p. 14). Numa análise formalista, o emprego da metonímia seria explicado pelo fato do narrador-personagem estar lendo, de maneira absorta, a obra romântica “Os três mosqueteiros” – do francês Alexandre Dumas, pai (1802-1870).
    Essa mesma passagem, entretanto, na perspectiva desconstrutivista, pode ser considerada uma marca no discurso, a qual levaria à oposição “sensível/indiferente”. Com isso, as percepções do narrador podem ser justificadas pelo fato de Nogueira estar, naquela noite, suscetível a “aventuras” amorosas; vulnerável às “armadilhas” do coração, bem como às equivocadas interpretações geradas por elas – tudo isso se opondo ao estado indiferente em relação às supostas intenções de Conceição. Assim, é possível entender que o narrador-personagem de “Missa do Galo”, influenciado pelo romantismo e pela juventude, enxergou malícia nas ações de uma mulher que só queria conversar.
    Vale ressaltar, ainda, que o autor expõe a narrativa de forma ambígua, apresentando muitas “suspeitas”. Essa é uma das características machadianas, a qual pode ser reconhecida já no seu primeiro romance, “Ressurreição” (1872). Portanto, a exposição feita aqui não anula (e nem poderia anular) todas as outras interpretações permitidas pelo texto.

    Danielle R. Betemps, em 19/11/2013.

    Obra citada:
    ASSIS, Machado de. “Missa do Galo”. In: ______. Contos. Porto Alegre: L&PM, 2010. (Coleção L&PM POCKET).

    ResponderExcluir
  17. No conto "Intestino Grosso" de Rubem Fonseca, a personagem do autor (entrevistado por um jornalista), faz uma desconstrução das histórias infantis no próprio conto, no momento em que cita João e Maria, "...Joãozinho e Maria são levados pelo pai, que de conchavo com a mãe dos meninos, pretende abandoná-los para serem comidos pelos lobos.
    "...Graças a astúcia de Joãozinho, ambos afinal conseguem jogar a velha no tacho de azeite fervendo. Para o autor (personagem) esta é uma história indecente, desonesta, vergonhosa, obscena, suja e sórdida e não um lindo conto de fadas como é contada para as crianças. No próprio texto Rubem Fonseca faz esta desconstrução mostrando assim, um novo olhar para esse tipo de narrativa.

    Susana Costallat

    ResponderExcluir
  18. Ao nos deparar-mos com a palavra desconstrutivismo podemos ter uma ideia equivocada quanto ao seu objetivo.O que se pretende não é destruir a obra que é objeto da pesquisa, mas buscar novos significados para o texto, questionando-se o que já foi estabelecido sobre esse. Estruturando-se uma experiência infindável que visa desnudar cada etapa da sua formação.Dessa forma valorizamos a interpretação do leitor que pode entender das mais variadas formas aquilo que o autor colocou em sua obra.

    ResponderExcluir
  19. No desconstrutivismo, há explicitação de oposições como bom/mau, homem/mulher etc. Nessa teoria, se percebe a possibilidade de leituras diferentes de uma mesma obra.
    Como exemplo, cito a personagem Emma Bovary, de "Madame Bovary, de Gustave Flaubert. Em um contexto onde, "normalmente", a mulher seria servil ao marido, ela rompe com a "tradição" e o trai. A personagem feminina tradicional é desconstruída, desaparecendo o "bom" e aparecendo o "mau". Mas, dependendo da leitura, é possível considerá-la como uma heroína da época, pois ela buscava seus sonhos (ter uma vida fácil e status) e ideais.

    ResponderExcluir
  20. Na obra ''O tempo e o vento,o continente II'' de Erico Verissimo,na qual, cada personagem é detalhado com todas características positivas e negativas, não sendo composto de somente maldades ou bondades,o enredo se desenvolve no sentido de subjugar uma personagem específica; Luzia, sendo descrita quase como "a vilã" da narrativa e enaltecendo Dona Bibiana.
    De acordo com Derrida que tem como filosofia não destruir e sim viver a obra de outra forma, na desconstrução, utilizo o fragmento de Luiza para ser interpretada como a grande vítima da narrativa, por estar em meio a pessoas divergentes de tudo que ela acredita,pois trata-se de uma jovem criativa, determinada e desafiadora, não sendo compreendida pelos habitantes de Santa Fê, que são rústicos e machista, e por isso, é vista como "louca".
    Luzia passa por uma árdua trajetória, vivendo no sobrado que é como se fosse a extensão de sua sogra Bibiana, que o ama e faz tudo que pode para manter-se nele. Sempre com as melhores intenções, age de forma cruel,quando sente algo a ameaçar a herança da família Cambará.
    Na narrativa, Bibiana é caracterizada apenas como uma mulher prática, porém como nesse parágrafo da página 441, demonstra, pode-se refletir de outro modo; depois de Luzia ter sido esbofeteada por Bolívar, ao olhar a nora caída no chão,não sabe o que fazer, nem dizer...''Botar-lhe arnica na cara? Dar-lhe um chá de folhas de laranjeira? Quis adoçar a voz e dizer- lhe uma palavra de consolo.Mas quando deu acordo de si estava dizendo: - Quem semeia ventos colhe tempestades.Virou - lhe as costa e saiu também."
    A indiferença ao sofrimento da nora é natural e cômoda para Bibiana,que inclusive narrou grande parte das loucuras de Luzia para quem quisesse ouvir,e mesmo depois da morte de seu filho não permitiu que ninguém se aproximasse da jovem que viveu sempre ao abandono de todos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Beatriz.
      Eu te dei 0.8 por que tu construiu teu comentário indo direto à análise da personagem Luzia, relacionando com a teoria, mas sem antes comentar sobre ela (a teoria) de um modo mais abrangente.
      Os comentários avaliados em 1 foram os que, antes de ir para a análise literária propriamente, explanaram mais calmamente sobre a teoria. Apesar disso, teu comentário está bem bom e ficou bem claro pra mim como tu vai articular a teoria com o estudo dessa personagem. A posição binária que me parece que tu pretende desconstruir é a partir da insatisfação e inadequação da personagem Luzia com a sociedade reacionária e conservadora em que ela vive... está muito bem.
      A ideia me parece adequada à proposta do artigo.
      Qualquer dúvida que ainda tenha, podes me mandar e-mail.
      Beijos

      Excluir
  21. Na obra Mémoria de Minhas Putas Tristes de Gabriel Garcia Márquez, prêmio Nobel de Literatura, pode-se fazer uma análise descontrutivista na posição binária do narrador em relação ao amor x sexo, pois o narrador busca durante toda sua vida o prazer sexual sem envolvimento emocional e quando completa 90 anos acaba sem querer encontrando um amor, como pode-se ver no trecho abaixo descrito: “O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança.” (Memória de Minhas Putas Tristes, p.79, Rio de janeiro, 2010).

    Maristela Cardoso da Rosa

    ResponderExcluir
  22. DESCONSTRUTIVISMO
    Primeiramente deve-se dizer que o desconstrutivismo existe para ir de confronto ao estruturalismo. Das práticas interpretativas realizadas pelo desconstrutivismo podemos destacar a obra de Murilo Rubião no livro “O pirotécnico Zacarias”, uma obra constituída por vários contos sendo o “Ex mágico” o conto que destacarei neste texto, analisando esta obra pelas perspectivas dos desconstrutivistas podemos fazer um confronto entre o homem e seu descontentamento de vida, de sua posição tanto social quanto profissional, esse conto fala de um ex mágico que cansado de suas próprias mágicas que já chegam a ser involuntárias, infeliz com isso ele resolve dar fim a própria vida, tenta por meio de mágica e fracassa, então ele ouve alguém falar que ser funcionário público é suicidar-se, e é então o que ele resolve fazer tornar-se um funcionário público, qual sua surpresa a morte não veio, e sim a burocracia e monotonia da vida de um trabalhador comum, um amor não correspondido e falsas amizades, e já sem poder fazer suas mágicas por ter-se tornado um cidadão comum ele mostra mais uma vez sua insatisfação com a vida.
    Fazendo uma análise formal do que foi dito em torno deste conto verificamos elementos que dentro do desconstrutivismo na voz de Derrida a escrita anda a frente da fala, a cada leitura podemos fazer uma nova abordagem interpretativa mas, sempre vendo essa produção binaria do homem não contente fazendo um confronto entre vida e morte.

    ResponderExcluir
  23. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  24. Pode-se analisar a desconstrução da identidade nacional e o hibridismo cultural na obra Macunaíma de Mario de Andrade, utilizando a línea de pensamento do teórico Derrida que demonstra que a lógica binária é uma criação do discurso, pois os pares opostos não existem na origem, como a divisão entre luz e trevas, verdade e mentira, colonizado e colonizador. Além disso, o mito, operando a síntese entre o nacional e o universal provoca um colapso na ideia da construção da identidade nacional. A própria ideia de antropofagia cultural quebra com a ideia de uma cultura puramente nacional.
    A ambigüidade sacro-profana do mito é que faz a quebra do pensamento binário, dialético. Macunaíma, por exemplo, realiza incesto com a cunhada, o índio negro depois fica branco. O maravilhoso e o imaginário mítico, nessa obra, realizam essas fraturas da tradição cultural tanto européia quanto local, abalando até mesmo os ritos e o totem sagrado do grupo social. Isso se explica devido à natureza mítica que é subjacente ao romance Macunaíma, operando a síntese e
    a relação entre os opostos na coincidentia opppositorum de que a mestiçagem é fruto. Este hibridismo pode ser visto no pensamento de Derrida, em que o desconstrutivismo apresenta uma teoria em que a divisão binária entre pares opostos não teria uma origem, pois seria fruto da criação discursiva de acordo coma filosofia logocêntrica.

    Em Macunaíma, temos duas temporalidades, a do primitivo, vivendo em seu tempo mítico e a do civilizado, histórico, na era da máquina e da civilização moderna, em que vemos o choque entre mito e ideologia na discussão sobre a origem do Cruzeiro de Sul. Portanto, podemos perceber a partir da desconstrução da lógica binária, em que as identidades dicotômicas são construídas (eu/outro, índio/branco), assim como a legitimação do discurso do poder monolítico europeizante, a constituição de sujeitos culturais híbridos, sem se ligar à classificação unívoca e essencialista do ser, nem à dominação de uma cultura sobre a outra, que não se neutralizam: colonizado e colonizador.


    ResponderExcluir
  25. É com base no estruturalismo, de certo modo o "pai" de uma análise desconstrutivista, que aumentamos o leque de possibilidades de interpretações que uma obra pode oferecer. Partindo do conceito binário encontrado no estruturalismo, como argumentos consolidados através de uma análise entre seus opostos, ou seja, homem/mulher, feio/bonito, espírito/corpo, em que a existência de um lado desses opostos era fundamentada no próprio conceito que tinha sobre o outro, se limitando a uma análise dos lados isolados, como individuais e independentes e ao mesmo tempo associados com o que está ao seu redor, se limitando assim às interpretações que o rompimento deste conceito binário poderia dar, é que surge o desconstrutivismo, o qual rompe com esse limite, nos permitindo explorar um campo ainda não visto pelo estruturalismo.

    Através do filósofo francês Jacques Derrida, que nos oferece uma “extensão” do estruturalismo, inicialmente, ao questionar o que é centro de conceito da estrutura (para os estruturalistas, esse centro é encontrado apenas na parte de dentro da estrutura) é que podemos melhor observar essa maior amplitude de possibilidades de interpretações que uma obra pode oferecer. Derrida critica esse centro conceito estrutural, e nos mostra que este centro pode estar tanto dentro como fora da estrutura.

    ResponderExcluir
  26. Para melhor entendimento, trago a obra de Augusto Roa Bastos, no conto La Gran Solución, que no conceito estruturalista, podemos verificar dentro do seu centro estrutural, um adultério, que nos remete ao entendimento de que quem o pratica (a personagem Cesarina) é uma mulher calculista, premiditadora, nos condicionando assim a nos limitarmos neste conceito binário, posto como traição/fidelidade. A obra oferece como base estrutural para essas afirmações algumas passagens encontradas dentro do texto, numa passagem que Cesarina diz a seu marido (Liberato) que sabe de uma solução para resolver a situação que se encontrava, a qual o impediria de ir para a guerra, numa conversa de ambos:

    “…(Cesarina)-Tenemos que encontrar entonces uma manera para que te declaren inapto y no vayas. Sé de uno que estaría dispuesto a complicarse con nosotros.
    (Livberato) - ¿Quién?
    (Cesarina)- Salvatore, el repartidor de pan.
    (Livberato)- Bueno, pero cómo vamos a decir…
    (Cesarina)- En realidad, ya le hablé con del asunto. Claro que apenas lo necesario…”

    O que mostra esse fragmento é que Cesarina já arquitetava seu encontro com Salvatore, e precisava de um motivo para cumprir seus próprios desejos. Isto é claro, pois até este momento da história Cesarina não havia falado com Salvatore, como ela afirma na conversa citada acima com seu marido.
    Esta análise, que é limitada pelo conceito binário, é rompida a partir de quando analisamos a obra sob uma perspectiva de fora do centro da estrutura que nos permiti interpretar que Cesarina não estava fazendo isso para satisfação de seus “puros desejos” de forma premeditada e cauculista, mas sim porque era uma mulher que faria os extremos para salvar seu marido, para dar solução aos imprevistos que pudessem desestabilizar seu marido e seu casamento. Isto não podemos encontrar dentro do texto, mas segundo Derrida, quando analisamos, não somente a parte interior da estrutura do texto mas, tanto dentro como fora desse centro da estrutural, temos a legitimidade de outras interpretações.

    Outra passagem que o texto nos permite um melhor entendimento sobre o desconstrutivismo, através do estruturalismo, pode ser notada quando observamos dentro de sua estrutura a apresentação de Liberato como um personagem covarde, que sabia do adultério, mas não se atrevia a falar sobre isso, e aceitava essa condição.

    “...Cesarina también parecía transfigurada. La notó más hermosa y fresca. Era la lozanía de la salud y de la dicha. Otra cosa que notó, por lo demás también muy natural, eran las frecuentes visitas de Salvatore. Ahora Cesa y él reían y hablaban en voz baja en la salita. Notó, además, que Salvatore usaba sus camisas…”

    Podemos, pelo desconstrutivismo, interpretar que Liberato não era um covarde, senão, como Cesarina, era uma pessoa que poderia chegar e fazer os extremos das situações para que a harmonia de seu casamento prevalecesse. Mesmo sabendo da situação, acreditava que isso foi necessário para manter sua esposa ao teu lado oferecendo seus cuidados e agrados.

    Referência:

    http://textoterritorio.pro.br/alexandrefaria/recortes/cult_fortunacritica_5.pdf

    ROA BASTOS, Augusto. La gran Solución In: El trueno entre las hojas. 3ªEd. Losada. Buenos Aires, 1968.

    ResponderExcluir
  27. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  28. O desconstrutivismo nos proporciona uma leitura mais ampla de um texto, pois nos faz pensar em mais de uma interpretação do mesmo e de certa forma um melhor entendimento.

    ResponderExcluir
  29. Os textos de Derrida abordam os mais diversos temas, com um ponto em comum, conseguimos perceber a sua preocupação com a linguagem e a escrita, os elementos são trabalhados e discutidos a partir dos conceitos de desconstrução e diferença. A partir dos estudos, desconstruir na perspectiva de Derrida significa transformar o texto para mostrar os elementos que estão ocultos e com isso objetivam a compreensão do que deve ser interpretado.

    ResponderExcluir
  30. As práticas de Derrida orientaram-se sobretudo para sistemas de interpretação, e não propriamente para obras literárias. A desconstrução de um texto se dá a cada leitura que o leitor faz, ou seja a cada leitura uma nova interpretação. No desconstrutivismo serão explicitados outros sentidos como, as oposições entre o bem/mal, o belo/feio, mente/corpo, razão/loucura, amor/ódio, homem/mulher.
    Sendo assim, lembrei de: "O Alienista" neste conto Machado de Assis coloca em questão as fronteiras entre o que é normal e o que é anormal através de um médico que se esforça em tentar entender os distúrbios psicológicos da população. Simão bacamarte médico dedicado ao estudo da ciência, tendo como objetivo delimitar com precisão os domínios da razão, e para isso subordina-se apenas aos critérios científicos. Inaugura uma clínica para tratar de pessoas insanas, porém a visão de insano não era bem definida para ele, resolve recolher para tratamento em sua clínica, todas as pessoas que tivessem comportamento um pouco estranho, em outros momentos de seus estudos considera que os doentes mentais são aqueles tem o perfeito equilíbrio das faculdades mentais, interna várias pessoas inclusive sua esposa. Foi taxado como alienista. Em última análise de suas pesquisas percebeu que ele possuía todas as qualidades para ser um insano, pois ele era um sujeito perfeitamente equilibrado, que por isso mesmo tem que se encarcerar na casa verde,a fim de se tratar. Esta obra apresenta análise psicológica e a crítica social, na análise desconstrutivista o leitor poderá ter um entendimento mais amplo, e interpretar o alienista como uma pessoa que só queria fazer o bem, em função da ciência, ou de um louco, avarento que tem prazer de encarcerar as pessoas. Enfim é o leitor que vai dar sentido ao texto.
    Marilene Nunes .

    ResponderExcluir
  31. Segundo Derrida (1971) o descontrutivismo almeja ir ao mais fundo ponto de uma escritura e trazer à superfície aquilo que está submerso, trazer à luz aquilo que o texto esconde e que o próprio autor não viu ou não quis ver. E a cada escritura do texto, a malha de significados é tecida de acordo com o trabalho do leitor, transformando o processo num jogo, que se torna diferente e possui regras próprias a cada momento em que o jogador é substituído por outro. A leitura desconstrutivista deixa à mostra a estrutura encoberta pelo texto. Desconstrutivismo busca enxergar as estruturas mais escondidas, torna-se perceptível o valor da ligação entre escrituras diferentes, bem como entre línguas e culturas diferentes, que nos permitem ver, na ausência do outro, o significado do elemento presente no texto. Temos, na concepção desconstrutora, uma consciência da inter-relação entre as línguas , que prioriza a existência de uma corrente contínua de significação em detrimento da possível existência de um significado puro. Assim, podemos salientar que a busca incessante dos descontrutuvistas acontece não pela pureza linguística, mas pela essência do texto. A tradução, considerada como aquilo que abala o texto e permite que o véu presente sobre ele caia, mostrando os elementos antes ocultos, tornando-se a fonte de vida de um original e este só existe depois de traduzido.

    ResponderExcluir

  32. Para Jaques Derrida, um texto somente pode ser analisado desde a sua “desconstrução” como um todo, é, buscando sua contextualização com outros textos ( ele afirmava que não existia texto único), e pela conceptualização do leitor com os seus significantes, para isto Derrida se utilizou da dialética de Heidegger, e da dicotomia Saussuriana, mas com a teoria que apontava para um significante “ no absoluto” e passível de diferenças segundo a linguagem que utilizemos; com isto ele daria ao leitor a capacidade de obter varias interpretações para o conceito que se buscou exemplificar, partindo das “differance” que existem na descrição de um mesmo conceito.
    A continuação tem uma musica de Toquinho e um poema de Camões, onde claramente o primeiro nos remete a um conceito de amor, ao qual se faz referencia no poema pelo segundo, e a sua vez este descreve ao amor com conceitos diferentes, mas que estão presentes em todos aqueles que experimentaram algum tipo de amor.
    Para exemplificar um pouco mais sobre a variação do conceito, entre o significado e significante, podemos citar a lenda sobre o “Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda”, onde a távola redonda não significa uma mesa redonda, e sim uma mesa semicircular aberta no meio ( em forma de ferradura), é que ali se sentavam todos á mesa pelo lado de fora da mesma, desta maneira todos mantinham um contato visual, e também facilitava para serem servidos. Ao desconstruir o conceito chegamos a outro bem diferente, creamos desta maneira um novo significante de aquele proposto originariamente pelo autor.

    Escravo da Alegria
    Toquinho
    E eu que andava nessa escuridão
    De repente foi me acontecer
    Me roubou o sono e a solidão
    Me mostrou o que eu temia ver
    Sem pedir licença nem perdão
    Veio louca pra me enlouquecer
    Vou dormir querendo despertar
    Pra depois de novo conviver
    Com essa luz que veio me habitar
    Com esse fogo que me faz arder
    Me dá medo e vem me encorajar
    Fatalmente me fará sofrer
    Ando escravo da alegria
    E hoje em dia, minha gente, isso não é normal
    Se o amor é fantasia
    Eu me encontro ultimamente em pleno carnaval
    Luis Vaz de Camões

    Amor é fogo que arde sem se ver,
    é ferida que dói, e não se sente;
    é um contentamento descontente,
    é dor que desatina sem doer.

    É um não querer mais que bem querer;
    é um andar solitário entre a gente;
    é nunca contentar-se de contente;
    é um cuidar que ganha em se perder.

    É querer estar preso por vontade;
    é servir a quem vence, o vencedor;
    é ter com quem nos mata, lealdade.

    Mas como causar pode seu favor
    nos corações humanos amizade,
    se tão contrário a si é o mesmo Amor?
    Edgardo Piriz Milano

    ResponderExcluir
  33. Levando aos limites o contraste entre termos bipolares, Derrida é invariavelmente levado à necessidade de criar e reelaborar novos termos capazes de superar toda a relação dialética simples que nos permitisse reduzir o pensamento à ordem do calculável. Desta forma, Derrida irá levar a cabo uma exaustiva desconstrução de inúmeras cópulas de opostos subjacentes à metafísica tradicional, onde ele vai encontrar sempre, por baixo da cristalização dos conceitos, uma indeterminação dos limites de um em relação a um outro, mas também uma subordinação hierarquizante de um ao outro, oposições que se reconhecem nas copulas ontológicas primeiras e suas múltiplas declinações: o inteligível e o sensível, o espontâneo e o receptivo, a autonomia e a heteronomia, o empírico e o transcendental, o imanente e o transcendente, como o interior e o exterior, o fundador e fundado, ou o fonético e a escrita na linguística, a razão e a loucura na psicanálise, o sentido próprio e o sentido figurado na literatura, o masculino e o feminino na teoria dos gêneros, o homem e o animal na ecologia, a besta e o soberano no campo político, a teoria e a prática no próprio pensamento.
    Trago como exemplo o romance "Angústia" de Graciliano Ramos. Nesse romance, desestrutura-se o enredo tradicional, com o seu "encadeamento lógico de motivos e situações", assim como aquilo que lhe dá fundamento - a noção de causalidade. Tomemos, como ponto de análise, a relação ambígua de repulsa e atração de Luis Silva por Marina, a vizinha por quem se enamora e, de outro, o sentimento, não menos contraditório, de admiração e ódio do protagonista pelo amante rival e endinheirado Julião Tavares, sentimento que o levará ao assassinato deste último.

    ResponderExcluir
  34. Se o conceito de estruturalismo pressupunha uma totalidade da obra literária centrada em si mesma, e de certa forma excluía outros elementos de análise existentes fora do texto, o conceito de desconstrutivismo visa colocar em relação elementos do texto, através de alguns antagonismos existentes dentro da própria obra literária. Salientamos que o desconstrutivismo não visa se colocar como baliza teórica somente na literatura, aliás a utilização dos pressupostos teóricos desta corrente em literatura é um subproduto, uma consequência.
    Tentando dar um exemplo concreto cito a obra de Tabajara Ruas intitulada Neto perde sua alma. Onde o desconstrutivismo ao promover adequadas antinomias entre o histórico e o não-histórico nesta obra enriquece à análise já que podemos depreender ambos conceitos em relação com a estrutura textual sem que nenhum se sobressaia ou anule o outro.
    Desta forma aquilo que não for considerado "histórico" tem todo o direito de existir dentro da obra citada porque está em relação com o conceito, ou seja, tem sua historicidade, ao menos como possibilidade (algo que sabemos que saiu da imaginação do autor, mas poderia ter sido daquela forma, e é portanto verossimilhante). Essa capacidade de não anular, no sentido de invalidar a análise da obra já que grande parte do material narrativo presente na obra de Tabajara Ruas é ficção e ao mesmo tempo de não considerar o "não-histórico" como tendo menos valor dentro da obra e por fim analisar as relações entra as antinomias presentes é talvez a grande contribuição do desconstrutivismo.

    ResponderExcluir
  35. Se o conceito de estruturalismo pressupunha uma totalidade da obra literária centrada em si mesma, e de certa forma excluía outros elementos de análise existentes fora do texto, o conceito de desconstrutivismo visa colocar em relação elementos do texto, através de alguns antagonismos existentes dentro da própria obra literária. Salientamos que o desconstrutivismo não visa se colocar como baliza teórica somente na literatura, aliás a utilização dos pressupostos teóricos desta corrente em literatura é um subproduto, uma consequência.
    Tentando dar um exemplo concreto cito a obra de Tabajara Ruas intitulada Neto perde sua alma. Onde o desconstrutivismo ao promover adequadas antinomias entre o histórico e o não-histórico nesta obra enriquece à análise já que podemos depreender ambos conceitos em relação com a estrutura textual sem que nenhum se sobressaia ou anule o outro.
    Desta forma aquilo que não for considerado "histórico" tem todo o direito de existir dentro da obra citada porque está em relação com o conceito, ou seja, tem sua historicidade, ao menos como possibilidade (algo que sabemos que saiu da imaginação do autor, mas poderia ter sido daquela forma, e é portanto verossimilhante). Essa capacidade de não anular, no sentido de invalidar a análise da obra já que grande parte do material narrativo presente na obra de Tabajara Ruas é ficção e ao mesmo tempo de não considerar o "não-histórico" como tendo menos valor dentro da obra e por fim analisar as relações entra as antinomias presentes é talvez a grande contribuição do desconstrutivismo.

    ResponderExcluir
  36. DESCONSTRUTIVISMO

    Na LITERATURA ramo da crítica literária, com aplicações na Filosofia e na Psicologia, que afirma que toda a linguagem é metafórica e não pode garantir o sentido absoluto de nenhuma forma ou discurso tentando analisar os textos pela decifração dos seus múltiplos sentidos, dando primazia à interpretação do leitor
    (De desconstutivo+-ismo)
    desconstrutivismo In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-12-04].
    Disponível na www: .

    ResponderExcluir
  37. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  38. Ao rejeitar um modelo que conceba uma realidade moldada em estruturas prévias, o desconstrutivismo possibilita novas interpretações, não mais totalitárias, mas relativizadoras. Conforme esse pensamento, já não se considera a existência de uma verdade absoluta, nem de uma interpretação canônica. Isso porque, para Derrida, o significante escrito da linguagem poderia dar margem a vários significados, sendo especial em relação ao significante sonoro. Logo, para entender certo aspecto de uma obra conforme a linha de pensamento desconstrutivista, os valores contidos nela não deveriam ser apenas percebidos, mas comentados. Da mesma forma, especular sobre o caráter final da obra por meio de subversões hipotéticas seria uma operação bem vinda. Assim, porque se prestaria a questionar a configuração geral contida na obra, o desconstrutivismo possibilita novas interpretações de uma produção literária.

    Tomemos como exemplo o romance Os Ratos (1934), de Dyonélio Machado. No início da narrativa, há a explicitação do conflito: Naziazeno Barbosa recebe um ultimato do leiteiro, tendo apenas um dia para pagar a dívida. Após o aviso, dado logo cedo pela manhã, Naziazeno se dirige à mulher mantendo uma posição segura, de chefe de família, deixando claro, no seu discurso, que não depende dos serviços do leiteiro. Mas o narrador não menciona a reação que Naziazeno tinha tido antes, frente ao leiteiro – teria sido de belicosidade, de afronta, ou de medo, de insegurança? Essa pergunta por si só já seria um procedimento de desconstruir a personagem, porque nos faz desconfiar da figura viril que Naziazeno supostamente representaria na extensão do romance.

    Independentemente da resposta a essa última pergunta, há evidências linguísticas, na extensão do texto, da possibilidade de desconstrução dessa figura. A partir do momento em que Naziazeno sai de casa, pela manhã, podem-se ler passagens em que a sua imagem, poderosa na célula familiar, vai-se maculando com amostras de dependência e insegurança, desde o trajeto de bonde para o trabalho, passando pelas diversas tentativas de “cavar” o dinheiro, até finalmente chegar em casa:

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. “Essa história agora lhe causou um mal-estar. (...) Sente uma amargura doída dentro de si, na altura do peito e do estômago, uma espécie de ânsia e de náusea.” (MACHADO, 2010, p. 16)

      “A sua mulher encolhida e apavorada é uma confissão pública de miséria humilhada, sem dignidade – da sua miséria.” (MACHADO, 2010, p. 17)

      “Uma das suas primeiras ‘esperanças’ essa manhã foi o Duque. O seu gênio o protegia e o inspirava...” (MACHADO, 2010, p. 22).

      “Depois de pouco tempo, toda a sua vida – Naziazeno reconhece – está devassada: a doença, a mulher, o filho.” (MACHADO, 2010, p. 22)

      “Tem medo de desfalecer nos seus propósitos. Acha-se sozinho.” (MACHADO, 2010, p. 23)

      Assim, adotando-se um pensamento desconstrutivista, vemos que Naziazeno não necessariamente passa de homem chefe de família a um elemento análogo ao feminino ou infantil na casa, como se passasse ao outro lado de uma dicotomia estanque. No entanto, a queda da sua independência e da sua segurança já são desconstruções do arquétipo de personagem viril que a princípio se poderia criar. Ele não passa a ser uma criança, nem uma figura feminina submissa no modelo familiar patriarcal mais restrito. Na verdade, ele continua a ser um pai chefe de família, mas não mais o chefe de família prototípico, cuja tarefa exclusiva é trazer o dinheiro e o alimento para casa, sem falta, todos os meses. Agora, ele deixa de cumprir o papel na família de homem autossuficiente e provedor, dependendo da boa vontade de agiotas como o amigo Duque.

      Naziazeno, conforme essa análise, passa a ser uma outra figura possível, um modelo falho de pai de família: inseguro, desengonçado perante o dever de gerenciar o dinheiro e negligente quanto às tarefas do trabalho. Acaba, pois, recorrendo a várias possíveis (e fáceis) soluções, num circuito de pedidos e negações, cuja motivação é sanar a dívida inadiável. Portanto, nessa nova possibilidade de ler a obra, a personagem Naziazeno Barbosa não mais se conforma a uma estrutura determinada e infalível de figura familiar, a qual constitui o resultado de um imaginário coletivo. Ela passa a ser uma deformação e – por que não – uma desconstrução disso.

      Thais Barbieri
      05/12/2013 - 17:27

      Excluir
  39. O desconstrutivismo é mais um ramo da literatura, com aplicações na filosofia e na psicologia, onde se afirma que toda a linguagem é metafórica e não pode garantir o sentido absoluto de nenhuma forma ou discurso tentando analisar os textos pela decifração dos seus múltiplos sentidos, dando primazia à interpretação do leitor. Posso citar como exemplo, a obra de Daniel Galera (até o dia em que o cão morreu), é uma obra que se a separarmos por fragmentos, podemos tirar diversos sentidos da mesma, e assim aumentando em muito o leque de interpretações que esta obra pode nos proporcionar.

    ResponderExcluir
  40. O interesse de Derrida no texto literário advém do facto de certos textos transgredirem os limites tradicionais de representação da literatura. A perspectiva do crítico literário em relação à desconstrução é um pouco diferente, pois não está imediatamente preocupado com o facto de certos textos postergarem as categorias da metafísica ocidental mas preocupa-se antes com as propriedades singulares da escrita em si. Quer se seja contra ou a favor de Derrida, há que aceitar que, enquanto método de análise textual, o modelo desconstrucionista que ele propõe funciona efectivamente, obrigando-nos a repensar a forma como o texto é formulado. Se tomarmos em consideração as proposições dissimuladas ou impronunciadas no texto, se revelarmos os buracos negros do texto e os seus suplementos ou contradições internas de maior subtileza, o texto pode significar algo muito diferente daquilo que a princípio parecia querer dizer. Em dadas circunstâncias, um texto pode não querer dizer algo em particular mas várias coisas muito diferentes entre si e em relação ao sentido assumido à partida, eventualmente, pelo autor desse texto.
    Desconstruir um texto é fazer com que as suas palavras-charneira subvertam as próprias suposições desse texto, reconstituindo os movimentos paradoxais dentro da sua própria linguagem. Derrida fez repensar a forma como a linguagem opera. Desconjuntando os valores de verdade, significado inequívoco e presença, a desconstrução aponta para a possibilidade de escrever não mais como representação de qualquer coisa, mas como a infinitude do seu próprio “jogo”. Desconstruir um texto não é procurar o seu sentido, mas seguir os trilhos em que a escrita ao mesmo tempo se estabelece e transgride os seus próprios termos, produzindo então um desvio [dérive] assemântico de différance. Todo o signo só significa na medida em que se opõe a outro signo, por isso se pode dizer que é essa condição da linguagem que constantemente diferencia e adia os seus componentes que concede significância ao signo. Estas teses foram consolidadas por Roland Barthes numa fase já pós-estruturalista, que começa com o artigo “A morte do autor” (1968) e continua nos livros S/Z (1970) e O Prazer do Texto (1973). A teoria de Barthes aproxima-se da de Derrida: a leitura crítica de um texto literário não objectiva um sentido único mas a descoberta da sua pluralidade de sentidos.

    ResponderExcluir
  41. Levando em consideração o Desconstrutivismo, podemos afirmar que não existe apenas um significado/interpretação para determinada obra literária, pois tudo depende do ponto de vista do leitor.
    Tomemos como exemplo a obra Cordilheira, de Daniel Galera, mais precisamente, a personagem Anita. É possível observá-la como uma personagem frágil, que sofre pela perda dos pais e que tem uma infinita necessidade de engravidar com o intuito de ser, para esse filho, a mãe que ela mesma nunca teve, o que se comprova através do fragmento:

    Ia passar pelo o que minha mãe passou. Eu lhe prestando homenagem. Eu me vingando porque não a tive ao meu lado, ainda sem saber muito bem qual era o alvo da vingança. (página 140).


    Por outro lado, dependendo do ponto de vista do leitor, pode-se considerá-la uma personagem extremamente egoísta, que se sujeita a estar junto de um homem que ela não ama, apenas para conseguir o que ela quer: ter um filho. Além de que, mais tarde, ela aceita a proposta de assassinar Holden à pedido dele próprio, por acreditar ser justo a troca de uma morte por uma vida, como pode-se perceber em:
    E não é que, em certo sentido, Holden tinha razão? Era como se tivéssemos sido feitos um para o outro, mas não por afinidade, como ele acreditava, mas por efeito colateral do mais extremo fingimento. Ele desejava o mesmo destino de seu personagem. Eu desejava o mais próximo que poderia haver de uma concepção milagrosa. Pois bem. Uma morte, um nascimento. Uma troca justa. (página 141).

    ResponderExcluir
  42. Para que se faça uma análise crítica a partir do ponto de vista desconstrutivista é preciso apontar para as diferentes interpretações possíveis, ou para as diferentes perspectivas que se pode ter de um mesmo aspecto do texto. Por exemplo, um personagem secundário pode ter tanta importância na construção da visão da obra por parte do leitor quanto um protagonista; não há juízos de valor.

    Tal modelo pode ser observado no Morro dos Ventos Uivantes. A princípio, a trama gira em torno de relações conturbadas entre duas famílias, entre dois amantes. Mas o próprio personagem principal, Heathcliff, mostra uma personalidade plurivalente, podendo ser considerado uma vítima, um vilão, um louco, ou, pelo contrário, um tipo qualquer. Por outro lado, pode ser que, dependendo da leitura, ele sequer seja de fato o personagem principal; pode ser que a escolha do leitor seja a de observar outros aspectos da obra que pouco tenham a ver com o dito personagem e isso em nada interfira.

    Rebeca Werner.

    ResponderExcluir
  43. “[...] a linguagem é muito menos estável do que os estruturalistas clássicos achavam. Em lugar de ser uma estrutura bem definida, claramente demarcada, encerrando unidades simétricas de significantes e significados, ela passa a assemelhar-se muito mais a uma teia que se estende sem limites, onde há um intercâmbio e circulação constante de elementos, onde nenhum dos elementos é definível de maneia absoluta e onde tudo está relacionado com tudo.[...]”(Eagleton,2006,p. 195)
    “[...]no ato da fala eu pareço “coincidir” comigo mesmo de uma maneira muito diferente do que acontece quando escrevo. Minhas palavras faladas parecem imediatamente presentes à minha consciência, e minha voz se torna seu veículo íntimo, espontâneo.[...]” (Eagleton,2006,p. 196)
    “[...] quando escrevo, minhas significações parecem escapar ao meu controle: entrego meus pensamentos ao veículo impessoal da letra impressa, e como um texto impresso tem uma existência durável, material, pode ser sempre circulado, reproduzido, citado de várias maneiras por mim nem previstas nem pretendidas.[...]” (Eagleton,2006,p. 196)

    “[...] “A desconstrução” é o nome dado à operação crítica através da qual tais oposições podem ser parcialmente enfraquecidas, ou através da qual se pode mostrar que se enfraquecem parcial e mutuamente no processo de significação textual.[...]” (Eagleton,2006,p. 199)

    “(...) A desconstrução, portanto, compreendeu que as oposições binárias, com as quais o estruturalismo clássico gosta de trabalhar, representam uma maneira de ver típica das ideologias. Estas tendem a traçar fronteiras rígidas entre o que é aceitável e o que não é, entre o eu e o não eu, a verdade e a falsidade, o sentido e o absurdo, a razão e a loucura, o central e o marginal, a superfície e a profundidade. Esse pensamento metafísico, como dissemos, não pode ser simplesmente evitado. Não podemos nos lançar, para além desse hábito binário de pensamento, a uma esfera ultrametafísica. Mas através de uma determinada maneira de operar sobre os textos - sejam “literários” ou “filosóficos” – podemos começar a revelar um pouco dessas oposições, a demonstrar como um termo de uma antítese está secretamente presente no outro. De modo geral, o estruturalismo contentou-se em separar em um texto as oposições binárias (alto/baixo, claro/escuro, Natureza/Cultura, e assim por diante) e expor a lógica dessa análise.[..]” (Eagleton,2006,p. 201)

    De acordo com os trechos acima da obra “Teoria da literatura Uma Introdução” de Terry Eagleton e no texto acima pode-se concluir que a teoria do desconstrutivismo, formulada por Jaques Derrida, era baseada na desconstrução do texto a partir de sua perspectiva de organização original, ou seja, para Derrida tudo era considerado discurso e dentro desse discurso não haveria uma verdade absoluta. Sendo assim, o desconstrutivismo desconstrói o caráter natural de existir uma verdade absoluta, pois sempre há a relativização dessas informações. Se o estruturalismo tinha uma “visão fechada” sobre os elementos de uma obra presentes dentro do discurso, o desconstrutivismo amplia um pouco a visão e engloba o que está fora do estruturalismo. Podemos analisar a teoria desconstrutivista na obra literária “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, a qual possui uma estrutura que se baseia na analise de Capitu ter traído Bentinho. Se pensarmos esta obra em uma visão desconstrutivista pode-se questionar essa traição, pois de acordo com o desconstrutivismo, não há uma verdade absoluta. Logo, o desconstrutivismo permite que a obra Dom Casmurro tenha outra perspectiva como, por exemplo, a história da obra de Machado ser narrada pela personagem Capitu, mudando completamente a perspectiva de organização original.

    ResponderExcluir
  44. Ao citar descontrutivismo estaria repetindo ao avaliador pela "enésima" vez, o binário, e na verdade esta corrente procura fugir do lugar comum, ampliar a possibilidade de entendimento de uma obra. A obra que permite isso é a Metamorfose de Franz Kafka

    ResponderExcluir
  45. A ideia de dois extremos, constantemente cultivada na literatura, é até hoje muito presente, ainda que nem tanto quanto costumava ser. Um exemplo deste extremismo pode ser visto pelo gênero "romance" quando este tinha por objetivo expor/narrar uma situação na qual o "erro" fosse visto com maus olhos e trouxesse consigo uma consequência que comprovasse o quão importante era manter a moral e a honestidade impecáveis para que não viesse o castigo.
    Na obra "Madame Bovary" (FLAUBERT, 1857), por exemplo, a personagem principal, Emma Bovary, é uma destas personagens que, na época da publicação do livro, foi vista como sendo imoral e traidora, já que durante a trama ela comete adultério repetidamente enquanto casada com Charles Bovary. Uma visão desconstrutivista sobre esta obra poderia ser contestar até que ponto a personagem era imoral e de má índole por trair seu marido, uma vez que se a vida levada pelo casal for observada perceber-se-á que ela não era feliz e tão pouco satisfeita com o casamento que tinha. Muitos haveriam de dizer que a traição não era justa, já que Charles era um bom marido e nada percebia por amá-la demais; aqui há outro questionamento a ser feito: o bom marido que sequer percebe a infelicidade da esposa? Isto soa um tanto quanto incoerente, dir-se-ia que típico de um romantismo extremo.
    Em uma visão desconstrutivista, a personagem não é só compreendida, como também justificada e, por meio de uma análise ainda mais objetiva e detalhada, Charles pode ser considerado o grande causador do fracasso de seu casamento.

    ResponderExcluir
  46. Apartir do conceito de desconstrução elaborado por Jacques Derrida ,é possível fazer uma leitura da obra de Clarisse Lispector "maça no escuro" onde o contraste de termos bipolares esta presente .O protagonista Martin transita ao longo da obra em busca de um novo significado para a sua existência,procura se redescobrir como homem e acaba em uma realidade em que encontra pessoas que vivem mergulhadas na ambiguidade de serem dominantes e dominadas e invertem os papeis constantemente,Vitoria e Ermelinda,personagens com o qual Martin tem mais contato após o despertar da busca existencialista, possuem pensamento antagônicos de medo,uma delas em relação a vida e a outra em relação a morte.O contato com essa realidade faz com que Martin faça reflexões que o ajudam a recomeçar do zero,á ter um contato mais forte com seu próprio espírito e não apenas manter- se na superfície do corpo carnal.

    ResponderExcluir