terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Crítica cultural e sociedade







O título dessa postagem remete ao texto de Theodor Adorno - Crítica cultural e sociedade, escrito em 1949 - e evidencia que a relação literatura e sociedade não se trata, partindo da concepção do autor, de uma abordagem teórica que sustenta o entendimento maior sobre a cultura. Dessa forma, ao considerarmos a importância dessas reflexões, devemos ter leituras reflexivas como essa para além do seu entendimento, procurando estabelecer relações a partir das indagações provocadas.
Esta tarefa está calcada na interpretação de fragmentos do texto mencionado. São três citações que deverão ser comentadas com base na leitura dos textos discutidos em aula e também de outros textos que possam dialogar com as questões apresentadas.

1) "Mas a impropriedade da crítica cultural, no que diz respeito ao conteúdo, não decorre tanto da falta de respeito pelo que é criticado quanto do secreto reconhecimento, arrogante e cego, do objeto de sua crítica. O crítico da cultura mal consegue evitar a insinuação de que possui a cultura que diz faltar." (p. 07)

2) "A cumplicidade da crítica cultural com a cultura não reside na mera mentalidade do crítico. É ditada sobretudo pela relação do crítico com aquilo de que trata. Ao fazer da cultura seu objeto, o crítico torna a objetivá-la. O sentido próprio da cultura, entretanto, consiste na interrupção da objetivação." (p. 11)

3) "A função ideológica da crítica cultural atrela à ideologia sua própria verdade, a resistência contra a ideologia. A luta contra a mentira acaba beneficiando o mais puro terror." (p.16)

49 comentários:

  1. Eu não sabia se era para postar até hoje, ou até semana que vem, mas de qualquer forma deixo aqui meu "comentário" de última hora.

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  2. Como discutido em aula, pode-se notar que a crítica cultural se faz presente também nos nossos dias. Faz-se acreditar, com isso, que o crítico da cultura têm evoluído juntamente com todo sistema cultural e social, pois, busca-se sempre a cultura daquilo que ainda não se faz presente nesses sistemas. Mas, mais do que falta de reconhecimento do que já é existente, trata-se também de uma falta de valorização dos "objetos culturais", que assim são denominados por serem o objeto de avaliação do crítico cultural, que se dá a partir das suas relações com o mundo. Quando o objeto não é ideal do crítico, para ele, não possui valor algum em si. Sendo possível nisso, visualizar uma inversão, porque o ideal seria que o crítico lutasse contra as ideologias e buscasse sempre a sua verdade dentro do sistema cultural e social.

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  3. No que diz respeito à crítica cultural e sociedade, entende-se que o crítico vê na ideologia cultural da sociedade seu objeto de análise. A relação entre crítica e cultura é muito estreita e sempre esteve presente na sociedade.

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  4. As relações entre o crítico e o objeto de seu estudo a crítica cultural (e por consequência a crítica literária) está presa num círculo impossível de ser rompido no atual modelo capitalista segundo Adorno.
    Tal impossibilidade consiste no fato de dotar o crítico da cultura de um poder de conferir julgamentos de valor sobre uma determinada obra ou produção cultural no interior da qual o próprio crítico está inserido, advém daí que “o crítico mantém a ideia de cultura firmemente isolada, inquestionada e dogmática” (ADORNO; 1998; p.07)
    Se contrariando tal premissa o crítico cultural analisasse primeiramente aspectos da produção de tal cultura, indo na raiz do sistema capitalista para aferir como é produzido e como circula os bens culturais, teria obrigatoriamente de fazer o deslocamento radical de sua crítica, ou seja, questionar os alicerces de como tais bens são produzidos e a ideia de cultura em si. Tal deslocamento afetaria também os “valores culturais” expondo mais uma vez e de forma clara que a cultura na sociedade capitalista é um bem comercializável como qualquer outro é neste ponto que a “cultura se entrega às determinações do mercado” (ADORNO; 1998; p.11) tornando-se uma mercadoria como qualquer outra passível de ser comprada e vendida e também regida pelas leis de oferta e procura estabelecidas pelo mercado.
    Ao realizar esta operação radical colocaria em cheque o poder que lhe é atribuído como crítico cultural. Como está prisioneiro desta impossibilidade que em última análise lhe retiraria todo o poder “o crítico da cultura mal consegue evitar a insinuação de que possui a cultura que diz faltar” (ADORNO; 1998; p.07) assim o que está sendo julgado, aferido ou analisado pelo crítico nunca é a cultura em si entendida como uma totalidade, mas somente aspectos parciais, ou manifestações dessa cultura.
    O crítico ao não poder criticar as estruturas sociais que lhe conferem poder, caso o fizesse abalaria também sua credibilidade, poder e papel social, usa como escudo a justificativa ideológica para encobrir suas ações. Muitas vezes encontramos na voz de críticos culturais argumentos que pretendem justificar como neutros suas ações ao analisar esta ou aquela obra cultural, nada mais falso. Toda a crítica é de embasada em argumentos ideológicos, que embora não sejam totalmente claros para quem os enuncie ou interprete, podem ser plenamente identificáveis.
    Assim como não existe ideologia neutra, já que “a função ideológica da crítica cultural atrela a ideologia a sua própria verdade” (ADORNO; 1998; p.16) o uso ideológico permite claramente que percebamos que sob a expressão de determinada verdade formulada por um crítico ou corrente cultural é apenas uma verdade parcial, pois tem validade condicionada no tempo e para determinada classe social, mesmo que enquanto discurso se proponha a ser neutra, objetiva, imparcial ou se imponha ao conjunto da sociedade como se fosse A Verdade.

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  5. A relação do crítico com a cultura, objeto de sua crítica, pode ser considerada complexa, visto que, ao criticar uma determinada obra, o crítico não se desliga de seu conhecimento de mundo e vivência cultural, visto que são coisas que compõem sua essência e desta forma sua crítica não se dá de forma imparcial.
    Caroline F. Pinheiro.

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  6. ‘“O crítico da cultura não está satisfeito com a cultura, mas deve exclusivamente a ela esse seu mal estar”2. Esta afirmação, que praticamente abre um dos mais justamente conhecidos ensaios de Theodor Adorno (“Crítica cultural e sociedade”), sintetiza bem a natureza do desafio imposto à crítica cultural.” (http://www.raf.ifac.ufop.br/pdf-n7/Pag_21.pdf)


    Acerca dessa crítica é observável que é realizada por pessoas, que muitas vezes nela estão inseridas e que descontentes com os ditames culturais e sociais, vêm expressar seu desapreço. Entretanto é difícil fazer um julgamento sobre uma cultura que se esteve submerso a vida toda, sendo que nas palavras de Adorno “o crítico da cultura mal consegue evitar a insinuação de que possui a cultura que diz faltar” (p. 07).


    “Por um lado, Adorno quer levar ao extremo a noção de que a crítica cultural não deve ser compreendida como mera informação a respeito daquilo que o filósofo chama de “mercado dos produtos espirituais”. Antes, ela deve ser elevada a setor privilegiado da crítica da razão. Isto significa que os fenômenos da cultura, por mais particulares e localizados que possam inicialmente parecer, serão analisados como colocando em cena processos gerais de racionalização social e padrões de racionalidade.


    Esta articulação é importante para explicar porque Adorno deve começar lembrando que o critico da cultura se encontra nesta posição de parecer criticar aquilo que permite a própria fundamentação da crítica. Trata-se de mostrar como a crítica da cultura deixa evidente uma tensão fundamental entre valores, normas e casos que perpassa o próprio conceito adorniano de crítica da razão.” (http://www.raf.ifac.ufop.br/pdf-n7/Pag_21.pdf)


    Também é importante salientar que “a crítica é um elemento inalienável da cultura, repleta de contradições e, apesar de toda sua inverdade, ainda é tão verdadeira quanto não-verdadeira é a cultura.” (p. 11), além de que mesmo que a cultura seja tratada como objeto, seu sentido não se encontra em sua objetivação.


    (Carolina Brahm da Costa)

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  7. A teoria proposta por Theodor Adorno, se opõe a teoria tradicional, que se pretende neutra quanto às relações sociais. Ela toma a própria sociedade como objeto e rejeita a ideia de produção cultural independente da ordem social em vigor. Adorno salienta que, hoje a sociedade ela própria é sua
    ideologia, ou seja, uma forma de sociedade determinada conforme certo modelo de
    produção social dos homens, de modo que a apreensão do conteúdo dessa ideologia
    passará necessariamente pela análise crítica do condicionamento social vigente. É por isso
    que a emancipação não pode ser idealizada de forma ingênua, pelo contrário, ela precisa
    ser concebida no bojo do próprio ordenamento social. Dessa forma, Adorno destaca,
    textualmente, os dois problemas relacionados à emancipação:
    Penso, sobretudo, em dois problemas difíceis que é preciso levar em
    conta quando se trata de emancipação. Em primeiro lugar, a própria
    organização do mundo em que vivemos e a ideologia dominante – hoje
    muito pouco parecida com uma determinada visão de mundo ou teoria –
    ou seja, a organização do mundo converteu-se a si imediatamente em sua
    própria ideologia. Ela exerce uma pressão tão intensa sobre as pessoas
    que supera toda educação. (...) No referente ao segundo problema (...)
    emancipação significa o mesmo que conscientização, racionalidade
    (ADORNO, 1995a, p. 143).
    Sendo a literatura "a arte de criar com as palavras e seus sentidos", a relação entre a literatura e a sociedade é estreitíssima, assim como todas as artes.
    O artista é um destruidor e um construtor, é um crítico, é um sedento por manifestar sentimentos e sensibilidades inauditas. Sendo o literato um artista, ele é um crítico social que "formata" suas idéias com a poesia, o conto, o romance e todas as formas de expressão literária.
    Mesmo quando o artista das palavras fala de seu próprio mundo, de seus sentimentos, de suas percepções ante a vida, o universo e seus fenômenos, ele está , de certa forma, construindo o "eu social", pois não deixa de ser um representante daqueles que só entendem o mundo através da prosa.

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  8. Levando em consideração os trechos citados e as discussões proposta, penso que não há possibilidade de criticar algo, tendo como base a totalidade, pois o critico não tem a totalidade de uma situação e sim aspectos parciais. Isso porque, o critico tem uma formação politica e uma visão acerca do que esta sendo criticado que caminha por uma perspectiva. Tentar falar de uma totalidade, portanto, é inviável. Logo, é justamente a partir da ideologia do crítico que alguns aspectos serão identificados em sua critica. O objetivo, portanto é fazê-la a partir daquilo que é considerado relevante para a sociedade. Essa ideologia, esta ligada a verdade em que o critico procura envidar seus esforços.

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  9. 1) Na concepção de Adorno o critico literário sempre está sujeito a um padrão de avaliação imanente ao objeto da crítica, em outras palavras, o critico está anexo a uma rigidez sistemática do pensamento que tem como principio a objetividade na análise da produção cultural.
    De acordo com Benjamin, a incompletude é inerente à obra de arte, cabendo à crítica muito mais o papel de suplementá-la do que o de julgá-la. Sendo assim, abole-se a hierarquia existente entre uma e outra, que passam a se relacionar em função de complementaridade. Caberia à crítica, como autoconsciência da obra, revelar a sua intenção, contribuindo para o seu aperfeiçoamento, levando-a à consciência de si. Mas, nas palavras de Adorno: “a escolha de um ponto de vista subtraído da órbita da ideologia é tão fictícia quanto somente o foi a elaboração de utopias abstratas”
    2) Para o teórico os críticos tendem a objetivar a cultura, esta seria tratada simplesmente como objeto de mercadoria, estando sujeita as do mercado . Ela alentaria uma visão passiva e acrítica do mundo ao dar ao público apenas o que ele quer, desencorajando o esforço pessoal pela posse de uma nova experiência estética. As pessoas procurariam apenas o conhecido, o já experimentado. Por outro lado, essa indústria prejudicaria também a arte séria, neutralizando sua crítica a sociedade.
    3) A racionalidade na qual o crítico trabalha é a mesma em que ele acredita e por isso não é possível seu distanciamento do objeto de sua crítica. A liberdade de expressão que em determinados momentos históricos foi tão reprimida, em outros, onde a cultura se encontra impregnada pela ideologia do dominante, passa a ser a reprodução e a expressão do existente. Por isso não é preciso reprimir a liberdade de expressão, pois a possibilidade deste espírito de se expressar é legítima, no entanto ele vai repetir o existente. Sua liberdade de expressão não desvela a realidade, impregnada de ideologia, ela não consiste na crítica do existente. A cultura se transforma em ideologia, e, como afirma Adorno” a cultura só é verdadeira quando implicitamente crítica, e o espírito que se esquece disso vinga-se de si mesmo nos críticos que ele próprio cria. A crítica é um elemento inalienável da cultura, repleta de contradições e, apesar de toda sua inverdade, ainda é tão verdadeira quanto não-verdadeira é a cultura. A crítica não é injusta quando destrói – esta ainda seria sua melhor qualidade - mas quando, ao desobedecer, obedece.”

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  10. Tendo em vista os trechos mencionados, percebe-se que a crítica cultural não se sustenta por aspectos teóricos, já que o crítico está sempre condicionado por razões que o levam a um determinado prisma. O crítico também não pode se abster de sua bagagem cultural. Neste caso, a cultura (como totalidade), não é alvo do crítico, mas sim os interesses parciais. Além disso, no sistema capitalista, o objeto passa a ser desprezado e o lucro se torna pretensão do crítico. Para Adorno (1998), "o crítico da cultura tem inevitavelmente de se envolver com uma esfera maculada por valores culturais, mesmo quando luta zelosamente contra a mercantilização da cultura". Portanto, a crítica está submetida a estas condições.

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  11. “Cultura verdadeira é aquela implicitamente crítica, e o espírito que se esquece disso vinga-se em si mesmo através dos críticos que ele próprio cria. Crítica é um elemento inalienável da cultura em si mesma contraditória e, com toda a sua inveracidade, a crítica ainda é tão verdadeira quanto a cultura é inveraz. A crítica não é injusta na medida que obedece mediante o não obedecer.” (Adorno, idem, p. 79)
    Analisando os trechos citados e as discussões em aula, chego a conclusão de que criticar exige muito mais do que um conhecimento parcial da realidade; o crítico necessitaria portanto, de uma imparcialidade, o que é praticamente impossível, já que ele traz consigo sua visão de mundo e opinião. O crítico não poderia se deixar identificar em sua ideologia, mas sim, caminhar de acordo com aquilo que é "importante" para a modernidade, uma vez que o crítico também tem de se envolver, inevitavelmente, com a mercantilização da cultura.

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  12. 1) O crítico da cultura não está satisfeito com a cultura, mas deve unicamente a ela esse seu mal-estar. Ele fala como se fosse o representante de uma natureza imaculada ou de um estágio histórico superior, mas é necessariamente da mesma essência daquilo que pensa ter a seus pés. A insuficiência do sujeito que pretende, em sua contingência e limitação, julgar a violência do existente uma insuficiência tantas vezes denunciada por Hegel, com vistas a uma apologia do status que se torna insuportável quando o próprio sujeito é mediado até a sua composição mais íntima pelo conceito ao qual se contrapõe como se fosse independente e soberano. Sua vaidade vem em socorro da vaidade da cultura: mesmo no gesto acusatório, o crítico mantém a ideia de cultura firmemente isolada, inquestionada e dogmática. Ele desloca o ataque. Onde há desespero e incomensurável sofrimento, o crítico da cultura vê apenas algo de espiritual, o estado da consciência humana, a decadência da norma. Na medida em que a crítica insiste nisso, cai na tentação de esquecer o indizível, em vez de procurar, mesmo que não tenha poder para tanto, afastá-lo dos homens. A atitude do crítico da cultura lhe permite, graças à sua diferença em relação ao caos predominante, ultrapassá-lo teoricamente, embora com bastante freqiiência ele apenas recaia na desordem.
    2) A cumplicidade da crítica cultural com a cultura não reside na era mentalidade do crítico. É ditada sobretudo pela relação do aquilo de que trata. Ao fazer da cultura o seu objeto, o torna a objetivá-la. O sentido próprio da cultura, entretanto, consiste na interrupção da objetivação. Tão logo a cultura se congela em "bens culturais" e na sua repugnante racionalização filosófica, os chamados "valores culturais". Na destilação desses "valores" termos no qual ecoa, não por acaso, a linguagem da troca de mercadorias da cultura se entrega às determinações do mercado. Mesmo no entusiasmo por grandes civilizações exóticas pulsa a excitação com uma peça rara, a qual se pode investir algum dinheiro. O crítico da cultura tem como modelo, além do crítico de arte, o colecionador que avalia com desprezo os objetos que deseja adquirir. A crítica cultural lembra geralmente o gesto do comerciante regateador, como no caso do especialista que contesta a autenticidade de um quadro ou o classifica entre as obras menores de um mestre.
    3) A cultura tornou-se ideológica não só como a quintessência das manifestações subjetivamente elaboradas pelo espírito objetivo, mas, em maior medida, também como esfera da vida privada. Esta esconde, sob a aparência de importância e autonomia, o fato de que é mantida apenas como apêndice do processo social. A vida se transforma em ideologia, em máscara mortuária. É por isso que a tarefa da crítica, na maioria das vezes, não é tanto sair em busca de determinados grupos de interesse aos quais devem subordinar-se os fenômenos culturais, mas sim decifrar quais elementos da tendência geral da sociedade se manifesta através desses fenômenos, por meio dos quais se efetivam os interesses mais poderosos. Quanto mais o todo é despojado de seus elementos espontâneos e socialmente mediado e filtrado, quanto mais ele é "consciência", tanto mais se torna "cultura", O processo material de produção se manifesta finalmente como aquilo que era em sua origem, ao lado dos meios de manutenção da vida, na relação de troca: como uma falsa, consciência das partes contratantes uma a respeito da outra, como ideologia, Inversamente, contudo, a consciência torna-se cada vez mais um mero momento de transição na montagem do todo. Hoje "ideologia" significa sociedade enquanto aparência.

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  13. Theodor Adormo em 1949 fez uma alusão do crítico da cultura que permanece até os dias atuais. Ele deixa claro que fazer uma crítica é algo muito complexo, pois ao fazer um estudo de um obra, o crítico tem que ser impessoal e esquecer as suas ideologias, ser menos arrogante e centrar-se no conteúdo que será criticado, ou seja, descobrir o sentido da obra, no entanto isto não acontece.
    Sociedade e cultura estão entrelaçadas, mede-se a competência de um escritor ou um crítico conforme seu êxito no mercado.
    A sociedade dá muito valor à crítica cultural, pois a opinião de um crítico é como se fosse a de um juiz, isso pode prejudicar o conteúdo e valor de uma obra literária, pois uma crítica negativa pode destruir uma boa obra. " Sua responsabilidade transforma-se, de acordo com a tendência preponderante, da sociedade, em ficção. De sua liberdade, o espírito desenvolve apenas o momento negativo, a herança de sua condição monadológica e sem projetos; a irresponsabilidade."
    Um crítico que leva a sério todas as imposições externas, não consegue fazer uma crítica objetiva e verdadeira, ele até tenta desobedecer as normas culturais e sociais, mas ao desobedecer ele obedece.

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  14. A tarefa de separar o papel de crítico cultural do papel de individuo social que experimenta a cultura e está imerso nela me parece muito difícil.
    Conforme as ideias de Adorno e o que discutimos em aula, o crítico sofre no meio de dois caminhos: ao tentar parecer imparcial escorrega para o lado mais severo e ao não conseguir separar o papel de crítico do seu papel social não tem o distanciamento preciso para exercer a atividade.

    Vivian Corrêa

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  15. Como fazer uma crítica cultural isenta? Tarefa difícil, se não impossível, visto que todo crítico vai analisar uma cultural comparando-a com outra. O crítico vai emitir juízos de valor levando em consideração a cultura que ele idealiza em relação as outras ou vice-versa. Como poderia um de nós analisar alguma manifestação da cultura pop dos dias de hoje sem colocarmos juízo de valor pelo que julgamos bom ou ruim? Por exemplo, se eu fosse analisar uma letra de Funk, ritmo típico dos dias atuais nascido nas periferias, seria carregado de preconceito, não por sua origem, mas por que entraria em um juízo de valor degenerativo para com a Obra, iria criar uma imagem mental negativa no campo do abstrato, ao ouvir um nome como Valesca Popozuda, já entraria em estado de choque e seria incapaz de reconhecer algum valor a essa obra, mesmo que ele existisse. Adorno, diz no texto que o crítico cultural de certa forma acaba se julgando superior ao que ele analisa, como quisesse se fechar em uma redoma de vidro, alheio ao que ocorre ao seu redor, negando a sua existência naquela sociedade. Para mim, esse é o modelo de crítica mais complexo de todos, como se precisasse "negar a Deus para provar sua existência".

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  16. Segundo Adorno, o crítico no momento que analisa uma obra toma propriedade no assunto e não consegue disfarçar que possui a cultura que falta ou que existe naquela obra. A relação do crítico com a obra analisada não é apenas uma relação entre esses dois, mas existe toda uma sociedade, que estabelece padrões, por trás disso. Por isso é indissociável a crítica cultural da sociedade.

    Maristela Cardoso da Rosa

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  17. 1. O critico de certa forma sempre sofre influencias do meio, da sociedade propriamente dita, ao fazer suas analises ele se põe em vários lugares para ter diferentes visões da obra. Ele precisa estar atento ao seu período e a sua ideologia de estudos para que de fato sua analise não seja ou não envolva aspetos pessoais, ele não deve se impor plenamente na analise. A linguagem também define o seu respeito com a obra, pois acima de tudo ele deve deixar a obra com seu sentido inalterado, através da analise ele ira apenas salientar e demonstrar aspectos importantes para aquela sociedade, mas deve levar a obra original a esses leitores, sem alterações.

    2. Esta objetivação é uma forma de denúncia da falta de inteligência na cultura, é como se fosse uma acusação de que se não pratica a crítica segundo os exemplos dos grandes críticos, esta visão de apoderamento do objeto analisado faz com que o critico visualize apenas a obra e nada mais. Essa analise e crítica contribui para a cultura não nos deixa esquecer a necessidade da interrupção dessa objetivação presente nas obras.

    3. Esta questão de ideologia pode ser vista nos mitos, pois eles nunca existirão sem sua função ideológica, com o objetivo de demonstrar o real, o que de fato à obra representa no seu interior estando de acordo com o seu período e com as ideologias de que o critico acredita. O fator ideológico esta ligada a questão social, a todas as influencias que esta sociedade pode trazer para a obra e também para a sua analise.


    Pâmela Machado

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  18. O leitor espera do crítico da cultura a ética, o discernimento, já que este apresenta opiniões sobre obras e autores, espera também lhe passe confiabilidade e veracidade de informações acerca da obra criticada. "O trabalho do crítico só começa quando ele ultrapassa a sua pessoa num esforço de colocar em primeiro aquilo que lhe parece a realidade da obra estudada". (Antonio Candido, textos de intervenção, p.24)
    O crítico da cultura ao objetivar o conteúdo de sua crítica vai estar sempre sujeito ao sistema econômico enquanto a cultura passa a ser mercantilizada ocorrendo o desprezo pelo objeto em busca de lucro.
    Pela concepção crítica a ideologia não é algo disseminável como é uma ideia ou conjunto de ideias mas algo voltado a criação, manutenção de relações de dominação por instrumentos simbólicos como uma frase, um texto, um artigo, uma notícia, uma reportagem, uma novela, um filme, uma peça publicitária ou um discurso.

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  19. CRÍTICA CULTURAL E SOCIEDADE

    A proposta do Theodor Adorno em seu texto em questão não visa ampliar o entendimento de "cultura".
    A primeira citação põe em evidência o fato que todo indivíduo foi inquestionavelmente abraçado e influenciado por uma cultura ao longo de sua existência. Como mesmo Bakhtin afirma, todo discurso é oriundo de discursos anteriores, não surgem de forma desconexa aos discursos aos quais o autor teve acesso. Consequentemente, o crítico cultural não é sensato de desprezar que até ele mesmo possui tal cultura que é objeto de crítica ora injusta e voraz, dando margem à uma notória contradição.

    Quanto à segunda citação, a cultura apresenta por si só uma característica singular e própria: a subjetividade. O indivíduo inserido em determinado contexto cultural trata sua cultura de forma inquestionável, enquanto que o crítico, por questioná-la, usa-se de métodos científicos de análise a fim de alcançar resultados por meio da objetividade. No entanto, já que o "tudo é relativo" einsteiniano não pode mais ser ignorado neste novo paradigma ocidental, o olhar prerrogatório do crítico não pode se apresentar objetivadamente, mas sim subjetivadamente por justamente ser influenciado pela relação que o crítico cultural mantem com a cultura. Assim sendo, a quebra desta objetivação reforça ainda mais a própria natureza subjetiva da cultura.

    A terceira citação aborda o tema "verdades" no plural em vez de "verdade" no singular. "Sem o conhecimento da verdade não se muda nada” (Candido 1999:6). Esta citação, por si só, apresenta uma quebra com a cultura por meio do conhecimento, do saber, da crítica. A cultura faz com que o ser humano continue sua caminhada à "décadence", como já afirmou Nietzsche. No entanto,paradoxalmente, tanto Adorno, quanto Candido e Nietzsche se servem de uma ideologia (a crítica cultural) para lutar contra a mentira de uma outra ideologia (a cultura). Conclui-se que, assim como a segunda citação de Adorno, vê-se uma contradição: discurso criticando discurso.

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  20. 1) Como ilustra Flávio Aguiar (2000, p. 20), “para entrar na mesquita ou para receber a palavra de Oxum, o crente tira os sapatos. Ao adentrar no mundo da arte, recebemos um convite para nos despirmos de nossos preconceitos”. Talvez essa faceta não seja muito útil ao crítico, pois esse deveria, então, ver a obra como se ele próprio não pertencesse ao meio cultural que critica. Sendo isso impossível, resta-lhe a busca pelo equilíbrio: não tentar escamotear a influência absorvida de sua própria cultura, nem se deixar levar apenas por ela. Assim, o crítico da cultura deve participar e ao mesmo tempo não participar da cultura, para que possa realmente fazer justiça à coisa que critica e a si mesmo (ADORNO, 1998, p. 25).
    2) Ao objetivar a cultura, o crítico faz dela um produto para atender apenas as “necessidades” do público, sem incitá-lo à crítica e tornando-o ainda mais passivo e alienado.
    3) Criticar a cultura enquanto ideologia é justamente a função ideológica da crítica cultural – como se esse último sistema de ideias combatesse o primeiro. A partir do que toma como sua verdade, o crítico questiona a verdade precária que é a cultura.

    Danielle R. Betemps, em 05/01/2014.

    Obras citadas:
    AGUIAR, Flávio. “As questões da crítica literária”. In: MARTINS, Maria Helena (Org.). Outras leituras. São Paulo: Editora SENAC; Itaú Cultural, 2000.
    ADORNO, Theodor. “Crítica cultural e sociedade”. In: _____. Prismas. 2. ed. São Paulo: Ática, 1998.

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    Respostas
    1. Critica cultural e sociedade
      No que se refere a primeira citação em que entendemos que um crítico literário não consegue evitar de falar do objeto de sua crítica, nota-se em seu íntimo que ele mantem uma ideia firme a respeito da cultura, que a torna inquestionável. “O crítico da cultura não está satisfeito com a cultura... Ele fala como se ela fosse o representante de uma natureza imaculada...” (Adorno), o autor diz com isso que um crítico que julga a cultura e a sociedade sem fazer uma distinção suficiente, o exagero da presunção cultural aumenta a distância entre as condições do meio literário e cultural tornando-as questionáveis, o crítico faz dessa pretensão um privilégio seu, e isso afeta o teor da crítica.
      Na segunda citação ainda escrita pelo mesmo autor, “A cumplicidade da crítica cultural com a cultura não reside na mera mentalidade do crítico. É ditada sobretudo pela relação do crítico com aquilo de que trata...” parece uma contradição ao que está exposto a páginas atrás, nesse trecho de texto nos leva a pensar que um crítico separa bem cada coisinha que vai levar em consideração na hora de estabelecer seus critérios e pensamentos no que diz respeito a sociedade e cultura, quando Adorno diz que o crítico faz da cultura seu objeto de estudo passa a objetiva-la e nos mostra que ambas estiveram sempre relacionadas ao processo vital real da sociedade, logo mais adiante diz que o crítico de cultura não é capaz de compreender que a reificação (contextualização de algo isolado) da própria vida repousa não em um excesso , mas sim em uma escassez de esclarecimento e que as mutilações à humanidade são estigmas da irracionalidade total.
      “A função ideológica da crítica cultural atrela à ideologia sua própria verdade... A luta contra a mentira acaba beneficiando o mais puro terror...” na cultura surge uma separação radical entre trabalho braçal e trabalho intelectual, extraindo dessa separação um “pecado original” e a cultura simplesmente nega essa separação e finge uma união. Já sabiam disso Aristóteles e Platão que não podiam deixar vingar essa concepção de cultura, eles preferiam defender as questões sobre o julgamento da arte. A crítica cultural burguesa tornou-se sem dúvida cautelosa com a divisão entre alta cultura e cultura popular, entre visão de mundo descomprometida e alto conhecimento, dando assim um parecer de que trabalho braçal e intelectual possam andar lado a lado sem um combate de pensamentos e que a cultura seja vista como um poder de todas as classes sociais e que críticos possam atuar nesse meio sem haver separação.
      Unindo esses trechos do texto e tentando fazer uma reflexão sobre tudo que o autor abordou podemos relatar que um crítico tem variadas opções de estratégias para criticar e ou elogiar a cultura num todo, mas em partes parece que faz uma enorme separação de cada “setor” para poder em cima do que realmente acredita fazer sua análise e seu estudo sobre tudo com base no que realmente acredita que a cultura e a sociedade não andam de mãos dadas.

      Excluir
  21. De acordo com o pensador alemão a critica cultura é feita dentro de um sistema cultural, e não de um lugar inteiramente externo. Para que a critica tenha chance de impacto transformador é preciso que em suas condições de produção, leve em conta a linguagem os valores e os problemas imediatamente presentes à volta do intelectual. Essa necessidade suscita um paradoxo: para criticar a sociedade brasileira é preciso ver o fato de estar dentro dela. Por consequência o critico tem que se voltar criticamente sobre si mesmo. Por isso na perspectiva de Theodor Adorno a força do trabalho critico depende necessariamente da consciência de uma contradição, de um movimento dialético, em que a voz critica percebe em si mesma marcas e limites que remetem a sua inserção no sistema contra o qual quer falar.
    O crítico da cultura não está satisfeito com a cultura mas deve exclusivamente a ela esse seu mal estar. Esta afirmação, que praticamente abre um dos mais justamente conhecidos ensaios de Theodor Adorno (“Crítica cultural e sociedade”), sintetiza bem a natureza do desafio imposto à crítica cultural. Por um lado, Adorno quer levar ao extremo a noção de que a crítica cultural não deve ser compreendida como mera informação a respeito daquilo que o filósofo chama de “mercado dos produtos espirituais” Antes, ela deve ser elevada a setor privilegiado da crítica da razão. Isto significa que os fenômenos da cultura, por mais particulares e localizados que possam inicialmente parecer, serão analisados, colocando em cena processos gerais de racionalização social e padrões de racionalidade.
    Na teoria de Adorno é possível encontrar uma desconfiança com relação ao uso do termo
    Cultura. O calculado aparato de distribuição da indústria leva ao ápice o processo de mercantilização da cultura e, segundo as palavras de Adorno, “inteiramente dominada, administrada e de certa forma cultiva da integralmente, a cultura acaba por definhar”.
    O simples fato de se organizar o aspecto da vida social relacionado à arte e ao conhecimento sob o rótulo de cultura é já um sinal do declínio cultural, o reflexo de uma administração e industrialização das produções do espírito. Cito duas passagens de Adorno esclarecedoras a esse respeito
    A barbárie estética consuma hoje a ameaça que sempre pairou sobre as criações do espírito desde que foram reunidas e neutralizadas a título de cultura. Falar em cultura foi sempre contrário à cultura. O denominador comum “cultura” já contém virtualmente o levantamento estatístico, a catalogação, a classificação que introduz a cultura no domínio da administração. Só a subsunção industrializada e consequente é inteiramente adequada a esse conceito de cultura. (ADORNO, Theodor W. & HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento, p. 123).
    Tão logo a cultura se congela em “bens culturais” e na sua repugnante racionalização filosófica, os chamados “valores culturais”.
    Na destilação desses “valores” – termo no qual ecoa, não por acaso, a linguagem da troca de mercadorias – a cultura se entrega às determinações do mercado. (ADORNO, Theodor Crítica cultural e sociedade, p. 11)
    A contribuição de Theodor Adorno no estudo da literatura está diretamente ligada à crítica da violência, da desumanização no capitalismo industrial, e do autoritarismo fascista. Sua concepção de lírica, fundamentada sociologicamente como um problema histórico, focalizado como crítica da retificação e da opressão, permite examinar poemas líricos como obras dotadas de importante impacto político.( http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-106X2003000100005)


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  22. Pode entregar na aula? Vou entregar na aula.

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  24. De que forma nós como leitores críticos podemos avaliar o que é bom ou ruim?O que é de ‘’boa cultura’’ ou não.Aceitaremos como cultura aquilo que nos convem,que mais nos agrade.Isso também acontece na literatura,dizemos que tal livro é bom e o outro é ruim,porque não nos agradou ao ler,achamos muito chato,entre vários outros motivos.O juízo de valor em cima da literatura é hipócrita e infundado ,lemos obras literárias desconhecidas/e/ou rejeitadas que são muito melhores do que obras muldialmente conhecidas e idolatradas pela cânone.Até que ponto o critico é imparcial na sua leitura? Obviamente,existem sim,coisas ruins,mal escritas...Mas o critico certamente não vai conseguir se distanciar tanto ao ponto de ser imparcial,em algum momento seu gosto pessoal estará imprimido na sua critica,tanto para o bem como para o mal.Quando o critico julga algo como ruim,imagina-se então ,que ele seja detentor de toda BOA cultura,e que também seja um exímio reprodutor da mesma.O ser humano tem medo daquilo que não conhece e por isso reproduz somente o que lhe agrada,fazendo disso uma verdade absoluta e irrevogável.

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  25. A impropriedade da crítica cultural está atrelada à própria cultura do crítico. Ele critica a cultura de um ponto de vista que ele mesmo tem de concepções que são só dele e de coisas que o incomodam e por vezes podem não ser o que afetam a sociedade. Para ter de fato uma crítica cultural seria preciso partir de um ponto de vista onde toda a sociedade fizesse parte, de certa forma excluindo a cultura do próprio crítico.
    Ao tornar a cultura objetiva, o crítico ‘limita’ o sentido que ela tem que é o de justamente romper essa objetividade. Com isso, a cultura passar a ser um objeto a ser comercializado e a partir daí a luta pela subjetividade da cultura se perde. O que ocorre então é uma seleção do que será útil e o que poderá ser desprezado, gerando assim, lucro.
    Há a seguinte citação no texto de Theodor W. Adorno: "Hoje ideologia significa sociedade enquanto aparência.” O propósito da crítica cultural é justamente o contrário. Não ser apenas aparência.

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  26. Toda crítica cultural é feita de dentro do sistema cultural, e não de um lugar inteiramente externo. Na perspectiva de Adorno, a força do trabalho crítico depende, necessariamente, de que haja consciência de uma contradição, de um movimento dialético, em que a voz crítica percebe em si mesma marcas e limites que remetem à sua inserção no sistema contra o qual quer falar.

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  27. Adorno, em seu texto, admite a complexidade do papel do crítico cultural. Seu trabalho é significativamente prejudicado pelo simples fato de ser realizado por um individuo dotado de uma cultura e inserido nela desde sua infância. O critico está vestido do próprio objeto a que dirige seu desdém. Para posicionar-se de forma critica em relação a algo seria preciso, além do conhecimento do objeto criticado, um distanciamento, para assim exercer sobre ele uma visão neutra, despida de dogmas e ideologias. O objeto da critica sendo a própria cultura, a neutralidade necessária , o “ver-se de fora”, torna-se impossível, pois o critico, mesmo que irracionalmente, refletirá em seu posicionamento suas ideologias e convicções, que são nada mais que sua bagagem cultural construída na sociedade a que pertence.
    Graciela da Rocha Rodrigues

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    1. “Hoje sabemos que a integridade da obra não permite adotar nenhuma dessas visões dissociadas; e que só a podemos entender fundindo texto e contexto numa interpretação dialeticamente íntegra, em que tanto o velho ponto de vista que explicava pelos fatores externos, quanto o outro, norteado pela convicção de que a estrutura é virtualmente independente, se combinam como momentos necessários do processo interpretativo. Sabemos, ainda, que o externo (no caso, o social) importa, não como causa, nem como significado, mas como elemento que desempenha um certo papel na constituição da estrutura, tornando-se, portanto, interno.”
      "saímos dos aspectos periféricos da sociologia, ou da história sociologicamente orientada, para chegar a uma interpretação estética que assimilou a dimensão social como fator de arte. Quando isto se dá, ocorre o paradoxo assinalado inicialmente: o externo se torna interno e a crítica deixa de ser sociológica, para ser
      apenas crítica. O elemento social se torna um dos muitos que interferem na economia do livro, ao lado dos psicológicos, religiosos, linguísticos e outros. Neste nível de análise, em que a estrutura constitui o ponto de referência, as divisões pouco importam, pois ludo se transforma, para o crítico, em fermento orgânico de que resultou a diversidade coesa do todo." (CANDIDO, Antônio.Literatura e sociedade)

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  28. Levando em consideração os trechos citados, pode:se observar que o papel dos crĩticos no decorrer da histôria sempre teve um aspecto de totalidade e não de separação durante a anãlise do objeto ou obra.
    Susana Costallat

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  29. Toda da acrítica cultural é feita por um individuo que está inserido em um sistema de cultura, pelo qual é altamente influenciado. Por essa razão é uma tarefa difícil tentar fazer uma critica isenta onde não estejam impregnadas suas ideologias em busca de uma cultura idealizada.
    Adorno deixa claro que o critico cultural precisa ser imparcial não pode deixar se influenciar por suas preferencias, mas sim se envolver com o que é realmente importante pra modernidade, uma vez que esta lutando contra a mercantilização da cultura.
    Fabiane Cassana Rosa.

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  30. 1) Para Adorno, a crítica cultural deve considerar os valores, a linguagem e os problemas de uma sociedade, portanto para o crítico elaborar um crítica, ele terá que estar inserido naquele ambiente e consequentemente fará uma crítica de si mesmo.
    2) Com a objetivação da cultura, a mesma tornou-se sempre mais do mesmo, somente para atender o capitalismo mercadológico e contribuir para a alienação das pessoas.
    3) A crítica cultural mesmo que tente encaixar uma nova ideologia alternativa a ideologia dominante, acaba por produzir crítica que reforça a ideologia que se pretende negar.

    Flamarion Silveira

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  31. 1)Adorno associa a posição conservadora, o componente político, a uma inabilidade formal na escrita crítica. Não se trata apenas de insultar seus inimigos. É um movimento de resistência que indica que o campo acadêmico politizado é mapeado por critérios de valor, em que o chamado componente "imanente" da leitura não se dissocia do campo contextual. A partir de Karl Kraus, Adorno alinha adjetivos para a crítica conservadora que incluem conformismo, incompetência e negligência.
    2) Adorno em seu ensaio sobre crítica literária, a respeito da relevância da produção literária no pós-guerra. O pensador debate a hipótese, em circulação nos anos 50, de que o problema da crítica seria a qualidade duvidosa da produção de seu tempo. Adorno reage a isso dizendo que a tarefa da crítica é realizar "reflexões de maior alcance e profundidade". De fato, se a produção do presente não se incorpora ao passado com o encaixe esperado, a atitude não seria excluí-la, mas reavaliar a percepção adotada e alargar o horizonte de interpretação.
    3) Adorno diria que a ideologia agora é "a própria sociedade" e falso não se refere ao ideológico, mas a que a "cópia" da sociedade se imponha como sendo a efetiva. O "todo" é o falso, em sua ordem determinada.

    Carla Duarte.

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  32. DA ETERNA PROCURA

    Só o desejo inquieto, que não passa,
    Faz o encanto da coisa desejada...
    E terminamos desdenhando a caça
    Pela doida aventura da caçada.

    Mário Quintana

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  33. Na literatura, como em qualquer outra arte, a crítica é baseada no gosto pessoal. Não há como os críticos serem completamente imparciais, eles sempre julgarão de acordo com o que eles acham bom ou ruim. O que eles acharem que for bom, vão fazer uma boa crítica; o que acharem que não for, vão fazer uma crítica ruim. A crítica “especializada” não deve ser seguida ao pé da letra, cabe a cada um de nós, leitores, tirarmos nossa própria conclusão de o que nos agrada ou não.

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  34. A cultura é distorcida, em todos os aspectos. Seja como for é vista da forma contraria ao que é. O terceiro item a ser comentado segue: ““Quando ouço falar em cultura, destravo meu revolver”, dizia o porta-voz da Câmara de Cultura do terceiro Reich de Hitler”. (p. 16) Como um povo que fazia o que queria com o ensino, ou seja, ensinava apenas o que lhe convinha pode falar de cultura, se ele próprio (ao meu ver) não tem cultura. O que falta é a cultura, que muitas vezes é manipulada de forma a distorcer o pensamento alheio.
    Adorno retoma a questão econômica em vários trechos, dizendo inclusive que o destino da cultura esta atrelado ao sistema econômico, ainda pode se perceber como nesta questão econômica envolvem-se o “objeto” em que a cultura é transformada, reificando-a: “A cultura deixa-se idolatrar apenas quando está neutralizada e reificada” (p. 13). A citação coloca os modismos e a “falta” de o que criticar, pois a cultura se reinventa, mas de uma forma que parece vazia em si, deixando o crítico pensar que lhe falta cultura .

    ADORNO, Theodor. Crítica cultural e sociedade. In: _____. Prismas. Tradução: Augustin Wernet e Jorge Mattos Brito de Almeida. 2. ed. São Paulo: Ática, 1998.

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  35. Ao fato que o critico ao analisar uma obra, fará suas análises e críticas baseado em seus conhecimentos e em suas vivências particulares, de sua bagagem cultura é complexo e incoerente para eu pensar que o critico se "abstrai" do mundo e de toda sua ideologia e constatações ao longo da vida. De modo que para mim o critico não consegue fazer uma critica imparcial e sem influências diretamente ligadas ao meio social de seu desenvolvimento.

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  36. Adorno aponta aqui para a formação do crítico, que nada mais é, fruto de essa cultura a qual critica(1); com isto o crítico tenta objetivar a essa cultura, sem se dar conta que ao fazê-lo, caí na subjetividade, a reificando, neutralizando-a, é com isto dando um sentido próprio a mesma (2); por último adorno nos fala do mascaramento da verdade ocorrido pela função ideológica da crítica, quando esta só admite suas verdades como únicas, utilizando-as como objeto de dominação e alienação, a qual encontra na ideologia que defende, o pretexto para subjugar pelo terror( A Fé, como pretexto; a pureza das raças, como pretexto).

    Edgardo Piriz Milano

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  37. 1 Sua vaidade vem em socorro da vaidade da cultura, o crítico mantém a ideia de cultura firmemente isolada, inquestionada. Ele desloca o ataque. Onde há desespero e incomensurável sofrimento, o crítico da cultura vê apenas algo de espiritual, o estado da consciência humana, a indescritível decadência da norma. Na medida em que a crítica insiste nisso, cai na tentação de esquecer o indescritível, em vez de procurar, mesmo que não tenha poder para tanto, afastá-lo dos homens. A atitude do crítico da cultura lhe permite, graças à sua diferença em relação ao caos predominante, ultrapassá-lo teoricamente, embora com bastante frequência ele apenas recaia na desordem.
    2 Enquanto a cultura se considera um "bem cultural" e na sua racionalização filosófica, os chamados valores culturais, pecam contra a sua razão . Ao espalhar esses "valores" , termo no qual ecoa, não por acaso, a linguagem da troca de mercadorias , a cultura se entrega às determinações do mercado. Mesmo no entusiasmo por grandes civilizações exóticas pulsa a excitação com uma peça rara, a qual pode-se investir algum dinheiro. Quando a crítica cultural, até mesmo em Valéry, alia-se ao conservadorismo, deixa-se conduzir secretamente por um conceito de cultura que aspira, na era do capitalismo tardio, a uma forma segura de propriedade, que não seja afetada pelas oscilações do mercado. Esse conceito de cultura e apresenta como livre em relação ao sistema e capaz de garantir má segurança universal em meio à dinâmica universal. O crítico da cultura tem como modelo, além do crítico de arte, o colecionador que avalia com desprezo os objetos que deseja adquirir.
    3 O fato de que ambas afirmam seu compromisso com a cultura como um todo, ao mesmo tempo que proscrevem todas as formas de consciência não ajustadas, não é algo menos ideológico do que a atitude da crítica que se limita a denunciar diante do seu tribunal uma cultura desorientada, ou responsabilizar seu alegado negativismo pelo que há de nefasto. Aceitar a cultura como um todo já é retirar-Ihe o fermento de sua própria verdade: a negação.

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  38. CRÍTICA CULTURAL E SOCIEDADE

    1 – Neste primeiro fragmento o autor defende que o crítico está inserido no objeto de sua crítica, embora nem sempre reconheça isso, pois não há como tecer uma crítica convincente caso não se tenha conhecimento sobre o que se crítica e sobre o meio no qual está inserido.
    2 – Ao se inserir, mergulhar naquilo que é o seu objeto de trabalho/estudo o crítico corre o risco de deixar-se levar pelas ondas culturais que, seguidamente, varrem a sociedade, pois esta, por sua vez, faz do crítico uma forma de sustentáculo de suas “leis”, sejam elas mercadológicas, políticas ou sociais.
    3 – A influência da ideologia dominante faz com que a crítica negue tudo o que contradiga suas verdades eternas, seus dogmas. Ou seja, destoa da realidade, fazendo um julgamento distorcido pois teme o risco de ver suas bases derrubadas e contrariados seus interesses.

    Jefferson Ajala Gonçalves

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  39. De acordo com o texto de Theodor Adorno,Crítica cultural e sociedade e reflexões acerca deste,o crítico da cultura fala como se tivesse o poder sobre sua crítica como algo imaculado e não pudesse ser contestado.Mas seu objeto de crítica passa a ser inquestionável no seu conteúdo,uma vez que o crítico defende seu ponto de vista esquecendo-se muitas vezes que está inserido nesta mesma cultura.

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  40. 1) Todo indivíduo desenvolve/adquire uma cultura, inserindo-se nela. Até mesmo o crítico, que põe em xeque os valores de uma determinada cultura, reconhece-se como parte dela.

    2) Para analisar de forma acurada uma determinada cultura, o crítico tenta ao máximo objetivá-la, ao passo que uma das características principais da cultura é a subjetivação, o molde particular das ideias sobre as coisas do mundo.

    3) A crítica cultural, no intento de promover a resistência contra as várias ideologias pertencentes às culturas, acaba promovendo a sua própria. Como resultado, ao invés de ser a projeção de uma verdade absoluta, torna-se mais uma ideologia a se debater contra várias outras.

    Thais Barbieri
    09/01/2014 – 22:00

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  41. Lido. Meus comentários serão entregues em aula, assim como os anteriores.

    Natália C. F. de Souza

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